A Corporación América, que fatura US$ 2 bilhões por ano, está de olho em mais aeroportos no Brasil. Em sociedade com a brasileira Engevix, o grupo argentino já administra os aeroportos de Brasília (DF) e de São Gonçalo do Amarante (RN), com 50% de participação. Martín Eurnekián, diretor responsável pelos negócios da empresa no país, avalia que ainda restam pelo menos dez terminais atrativos ao setor privado.
Manaus, Recife, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba podem ser lucrativos, exemplifica Eurnekián, que lembra também a atratividade dos aeroportos centrais de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). A Secretaria de Aviação Civil já deixou claro, no entanto, que esses dois últimos não têm chances de passar às mãos da iniciativa privada.
Para o empresário, se houver mais concessões aeroportuárias a partir de 2015, a tendência é que o governo não imponha barreiras à participação das atuais operadoras. Quem já administrava um dos aeroportos privatizados na primeira rodada não pôde liderar consórcios que disputavam o Galeão (RJ) e Confins (MG). Eurnekián avalia que o objetivo principal do governo – ter várias operadoras diferentes para promover concorrência entre os terminais – já foi cumprido.
A Corporación América, que está à frente de 33 aeroportos na Argentina, continua se expandindo na América do Sul e na Europa. Ela já se tornou a maior administradora privada do mundo, em número de terminais, mas ainda não interrompeu seus planos de ampliação. Em janeiro, adquiriu uma fatia de 23% no aeroporto de Pisa (Itália), além de ter entrado com apetite na disputa por duas dezenas de aeroportos provinciais na Grécia (Atenas não faz parte da lista).
O grupo também busca as concessões dos aeroportos de Santiago (Chile), Cusco (Peru) e Barranquilla (Colômbia). Atualmente, os negócios da Corporación América no setor incluem ainda os aeroportos de Zvartnots (o maior da Armênia), de Montevidéu (Uruguai), de Guayaquil e Galápagos (Equador), de Trapani (Itália) e de cinco terminais de pequeno porte no Peru. No ano passado, somou-se à lista o de Milano Linate, o maior aeroporto italiano de aviação executiva. Ao todo, são 51 operações no planeta.
No mês passado, a Corporación América também fechou a aquisição de 33% da Six Semicondutores, substituindo o empresário Eike Batista no projeto. A fábrica, que recebe investimentos de R$ 1 bilhão, fica na região metropolitana de Belo Horizonte e começará a produzir em 2015. Eurnekián lembra que o grupo argentino já produz chips para cartões de crédito, telefones celulares e rastreabilidade eletrônica em Chascomús (a 120 km de Buenos Aires), por meio da Unitec Blue.
Ele prevê intenso intercâmbio comercial nessa área e afirma que a Six pode se tornar um exemplo da integração produtiva no Mercosul. Não com cotas e barreiras, como ocorre com automóveis e máquinas de lavar roupas, mas uma integração de verdade, diz Eurnekián.