
Apólices de guerra marítima preveem reavaliação dos prêmios se a situação de risco perdurar. Segundo especialista, cancelamento pode ocorrer enquanto subscritores revisam precificação para o futuro
A emergência que surgiu para empresas de navegação que fazem rotas pelo Oriente Médio e os ataques a embarcações comerciais desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã está levando seguradoras a cancelarem apólices e acionarem cláusulas contratuais para cobrar valores adicionais como prêmios de guerra. Em alguns casos, segundo estimativas de corretores, os acréscimos chegaram a 400% em relação aos praticados antes do começo dos conflitos.
Sergio Caron, diretor de Marine, Cargo & Logistics da corretora Marsh Risk Brasil, confirmou essa possibilidade. Ele explicou à Portos e Navios que, de acordo com os termos de todas as apólices de guerra marítima, há a previsão de reavaliar os prêmios se a situação de risco perdurar. “Foi exatamente o que ocorreu no Oriente Médio. Na prática, apólices foram canceladas enquanto os subscritores revisam a precificação para o futuro”, disse.
Marco Darhouni, diretor de Transportes, Frota e Aviação da WTW, outra empresa do setor de seguros, também confirmou que há possibilidade de serem feitas mudanças nos contratos e cobrados premidos maiores. De acordo com ele, o mercado segurador, tanto local quanto internacional, está adotando medidas para mitigar os riscos emergentes, especialmente nas áreas de P&I (Proteção e Indenização) e de Transportes (Marítimos e Aéreo). “Em relação às embarcações, as seguradoras estão revisando cláusulas de cobertura para avaliar a necessidade de ajustes ou exclusões específicas devido à crescente instabilidade na região”, informou à reportagem.
O diretor da Marsh Risk Brasil explicou que os preços das taxas de guerra variam de acordo com cada contratante, dependendo da percepção da seguradora sobre o risco de cada um. Ele disse que, de modo geral, os aumentos e mudanças contratuais atingem todos segurados que trafegam por áreas de risco. Sergio Caron é um dos que estimaram que o aumento dos preços cobrados chegaram a 400% já nos primeiros dias da guerra. Mas avaliou que a situação pode mudar e os adicionais serem reduzidos, se forem garantidas melhores condições de segurança para as embarcações. “Aguardamos detalhes sobre como a Marinha dos EUA poderá apoiar a travessia da frota mercante pela região, pois isso criaria um ambiente menos arriscado”, afirmou.
O diretor de Transportes, Frota e Aviação da WTW explicou as medidas em relação aos prêmios cobrados podem ser adotadas de forma ampla, para todos os que trafegam pelas áreas de guerra, como individualizada, a partir do risco estimado. Mas confirmou que há decisões de caráter geral, aplicáveis ao mercado como um todo, especialmente quando o nível de risco exige posicionamentos abrangentes.
Ele ressaltou, no entanto, que cada operação possui características próprias e, por isso, depende de análise específica, considerando a exposição, o perfil de risco e os impactos potenciais sobre as embarcações. ‘Em situações como essa, a gestão de crise combina essas duas abordagens, equilibrando diretrizes globais com avaliações técnicas caso a caso”, assegurou Marco Darhouni.
Fonte: Revista Portos e Navios