
Pré-contratos assinados preveem mais de US$ 8 bilhões em investimentos no complexo até 2030
A administração do Complexo do Pecém (CE) enxerga oportunidade de explorar produtos de alto valor agregado, como aço verde, fertilizantes nitrogenados, combustíveis sintéticos, além de equipamentos a partir da cadeia produtiva do hidrogênio verde (H2V). O complexo hoje tem seis pré-contratos assinados com as empresas AES, Casa dos Ventos, Cactus Energia, Fortescue, Voltalia e uma outra que não teve nome divulgado, além de mais algumas em processo de negociação dentre mais de 35 memorandos de entendimento assinados. Esses pré-contratos assinados somam mais de US$ 8 bilhões em investimentos até 2030.
O presidente do Complexo do Pecém, Hugo Figueirêdo, estima que esse montante deve duplicar a quantidade de empregos diretos e indiretos na região, que hoje é de 80 mil. “Tem mais de 19 mil hectares de área, possui infraestrutura robusta, localização geográfica privilegiada e desponta também como a casa do hidrogênio verde no Brasil, já que abriga os primeiros projetos do setor no país”, afirmou Figueirêdo à Portos e Navios.
As seis empresas com pré-contratos assinados estão em fase de planejamento de seus projetos. A Fortescue e a Casa dos Ventos já apresentaram e tiveram aprovadas suas licenças prévias de instalação. A AES tem audiência pública agendada para junho. Figueirêdo explicou que os pré-contratos são reservas das áreas, as empresas já estão pagando pelo aluguel enquanto finalizam seus projetos e têm até 2025 para tomarem suas decisões finais e assinarem contratos definitivos, iniciando a produção a partir de 2027.
Para receber as empresas que produzirão hidrogênio verde no Pecém, a estrutura do complexo será modernizada e será criado um corredor de utilidades por onde vão circular os dutos de amônia, gás natural, hidrogênio, água e a rede de energia elétrica. O píer 2 e o terminal de múltiplas utilidades do porto devem sofrer adaptações para a operação de amônia e outros derivados do hidrogênio verde.
Além disso, uma nova subestação com linha de transmissão deve ser construída para garantir energia suficiente para os eletrolisadores — onde é produzido o H2V. Também será desenvolvido um centro de inovação em combustíveis renováveis no Pecém. Esses projetos terão financiamento de US$ 90 milhões do Banco Mundial, US$ 35 milhões do CIF (Climate Investment Funds) e contrapartida de R$ 750 milhões da CIPP S/A.
Além disso, R$ 1,2 bilhão devem ser desembolsados pelas empresas de utilidade instaladas no Pecém, incluindo energia elétrica, água de reúso e outros segmentos ligados à infraestrutura de apoio para hidrogênio verde e amônia. Figueirêdo ressaltou que esses investimentos beneficiarão o complexo como um todo. “Nesse processo de instalação do hub de H2V, estamos nos preparando para produzir e exportar o hidrogênio, enquanto o Porto de Roterdã está se preparando para receber e distribuir pelo mercado europeu”, avalia Figueirêdo.
O empreendimento, que é gerido pela Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP S/A), é fruto de uma joint venture formada pelo governo do Ceará e pelo Porto de Roterdã, na Holanda. “Essa é uma oportunidade que não é apenas para os grandes empresários e para os grandes investidores, mas para todo o povo cearense, incluindo o pequeno gerador de energia no interior do Ceará”, salientou Figueirêdo.
Ele destacou que o Porto do Pecém e o Porto de Roterdã constituirão a rota de exportação/importação de H2V mais próxima entre a América do Sul e a Europa. Isso foi reforçado pelo acordo ‘Corredor H2 Verde’, assinado pelo primeiro-ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, e pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas, em maio de 2023.
Energia em terra
A produção estimada de hidrogênio verde do Complexo do Pecém deve chegar a um milhão de toneladas/ano em 2030, um potencial para atender a 25% da demanda de importação de Roterdã. “Internamente, devemos ter a alimentação de navios por energia elétrica até o fim do ano, com energia renovável certificada, quando atracados. Temos também um projeto de abastecimento de amônia e metanol para navios adaptados”, elencou Figueirêdo.
No início, o hidrogênio verde produzido será para exportação. “A longo prazo, o que esperamos é não só exportar, mas usar parte desse hidrogênio para consumo interno e, dessa forma, também nos adequarmos às metas mundiais de transição energética”, projetou o presidente do Complexo do Pecém.
Fonte: Revista Portos e Navios