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Clippings - 26/01/26

Hitachi fecha contrato em concessão de R$ 14 bilhões para modernizar sistema elétrico de trens em SP

– A Hitachi Energy assinou contrato com a concessionária Trívia Trens, do Grupo Comporte, para a modernização do sistema de alimentação elétrica das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da rede ferroviária metropolitana de São Paulo. O projeto integra a concessão patrocinada do Lote Alto Tietê, sob gestão do governo do Estado, que atende cerca de 1,3 milhão de passageiros por dia.

O valor do contrato de fornecimento não foi divulgado, em razão de cláusulas de confidencialidade entre as empresas. O tema, no entanto, é sensível por se tratar de um projeto inserido em uma concessão patrocinada, cujo equilíbrio econômico-financeiro é sustentado por aportes públicos e pela tarifa paga pelo usuário final. A Trívia Trens afirma que o contrato com a Hitachi representa apenas uma fração do investimento total previsto na concessão, estimado em cerca de R$ 14 bilhões, que inclui obras de infraestrutura, sistemas e material rodante.

A concessão do Lote Alto Tietê foi vencida pelo Grupo Comporte com um deságio de 2,77% sobre o valor de aporte apresentado pelo governo do Estado. Segundo a concessionária, o modelo contratual incentiva ganhos de eficiência operacional, ao prever remuneração por disponibilidade, vinculada à regularidade e à estabilidade do serviço oferecido ao passageiro.

Segundo o presidente da Hitachi Energy no Brasil, Glauco Freitas, o acordo com a Trívia Trens é o maior contrato já firmado pela unidade de integração de sistemas da companhia no país, desconsiderados projetos de transmissão em corrente contínua de alta tensão (HVDC), que envolvem valores bilionários em dólar.

Pelo porte do projeto, a execução é tratada internamente como crítica. De acordo com Freitas, eventuais falhas podem gerar impactos relevantes para a empresa, o que levou a Hitachi a classificar o contrato como prioritário e submetê-lo a acompanhamento direto do conselho global. “Quanto maior o contrato, maior o risco”, afirmou o executivo ao Valor.

O escopo do contrato inclui a construção de oito novas estações de trem e a modernização de outras 27, além das conexões à rede de alta tensão e do fornecimento de sistemas de tração em corrente contínua, responsáveis pela alimentação elétrica dos trens. Parte das soluções será fornecida pela COET, empresa italiana especializada em sistemas de energia para mobilidade ferroviária, adquirida pela Hitachi Energy em 2024.

Segundo Freitas, a modernização do sistema elétrico é considerada central para a redução de falhas operacionais e para a mitigação de interrupções no fornecimento de energia. “Para atender aos indicadores de qualidade exigidos na concessão, desenvolvemos um projeto conjunto com foco em uma infraestrutura elétrica mais eficiente, segura e com redundâncias”, disse.

De acordo com o executivo, o fornecimento de energia em corrente contínua permite maior estabilidade nas acelerações dos trens, enquanto os sistemas de automação possibilitam o telecomando e a proteção da rede elétrica ferroviária. “A tecnologia amplia o controle da operação e dá suporte à movimentação diária de cerca de 1,3 milhão de passageiros dentro dos parâmetros exigidos pelo contrato”, afirmou.

Cronograma do investimento

Na avaliação da Trívia Trens, os investimentos em energia são uma das bases para os ganhos operacionais previstos na concessão. A modernização deverá permitir a redução dos intervalos entre trens, maior confiabilidade do serviço e ampliação da oferta ao longo do dia.

De acordo com Tiago Augusto Alves Souza Dias, diretor de implantação da Trívia Trens, os primeiros investimentos começam em 2026, com a modernização de subestações cujos equipamentos datam das décadas de 1950 e 1970. “São equipamentos antigos que chegaram ao fim de sua vida útil”, disse. A expectativa, segundo ele, é que o passageiro perceba gradualmente o aumento da regularidade e da confiabilidade do sistema.

Após o período de sete anos de implantação dos investimentos, está prevista a ampliação da oferta com aumento da frequência dos trens. Na Linha 11-Coral, o intervalo deverá cair de cerca de quatro para três minutos no trecho entre Barra Funda e Suzano. Na Linha 12-Safira, a redução levará o intervalo atual de cinco minutos para três minutos e 25 segundos no trecho entre Manoel Feio e Brás.

A concessionária afirma que os investimentos não têm impacto direto sobre a tarifa paga pelo usuário. A concessão segue o modelo de parceria público-privada (PPP), com remuneração por disponibilidade, em que a receita da operadora está vinculada à oferta e à qualidade do serviço, e não ao volume de passageiros transportados.

“A tarifa é regulada pelo governo do Estado. A concessionária é remunerada conforme a disponibilidade dos ativos e o cumprimento das regras contratuais”, afirmou Souza Dias.

O modelo prevê ainda aportes públicos condicionados à execução dos investimentos, mecanismo destinado a preservar o equilíbrio econômico-financeiro da concessão.

Presença no país

O contrato reforça a estratégia da Hitachi Energy de ampliar sua presença no mercado brasileiro em um contexto de aumento da demanda por equipamentos elétricos, impulsionada pela transição energética, pela mobilidade elétrica e pela expansão de data centers.

A empresa investe na ampliação da fábrica de Guarulhos (SP) e na construção de uma nova unidade em Pindamonhangaba (SP), com previsão de conclusão ainda este ano, o que deve dobrar a capacidade produtiva no país. Segundo Freitas, os equipamentos destinados ao projeto ferroviário poderão ser produzidos no Brasil ou no exterior, a depender das especificações técnicas.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/01/22/hitachi-fecha-contrato-em-concessao-de-r-14-bilhoes-para-modernizar-sistema-eletrico-de-trens-em-sp.ghtml