A holandesa SBM Offshore vive um inferno astral no Brasil desde que foi conhecida no a investigação sobre a suspeita de pagamento de suborno para funcionários da Petrobras. A decisão da estatal de não convidar a SBM para participar da licitação das plataformas que vão produzir petróleo nos campos de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos (RJ) e Libra, no pré-sal da Bacia de Santos (SP), confirmada pela presidente da Petrobras, Graça Foster, em audiência no Senado na terça-feira, é o mais novo dissabor da companhia.
O Valor apurou que a Receita Federal está fazendo uma devassa no escritório brasileiro da SBM. A companhia disse que essa informação não procede. Ela tem plataformas alugadas para a Petrobras que respondem por 750 mil barris dos 1,922 milhões de barris diários produzidos pela estatal..
Entre 2007 e 2011 a SBM conseguiu contratos com a petroleira para aluguel ou conversão das plataformas P-57, FPSO Capixaba, FPSO Anchieta, FPSO Paraty e FPSO Ilhabela. Esta última ainda está em construção, assim como a Cidade de Maricá e Cidade de Saquarema. As duas últimas irão para o campo de Lula.
No início de abril a SBM admitiu pagamentos de US$ 139 milhões a “agentes de vendas no Brasil” entre 2007 e 2011 somando US$ 139,1 milhões. Desses US$ 123,7 milhões pagos a empresas de Julio Faerman, seu principal representante no país. Faerman também está sendo investigado e teria inclusive já contrato advogado criminal.
Outros US$ 15,4 milhões pagos pela SBM no Brasil foram feitos, segundo a holandesa, a “outros agentes para outras partes do negócio”. Entre as empresas de Faerman que tinham negócios com a SBM estão a Oildrive e a Faercom. Essas são as únicas citadas pelo empresário, que só se manifestou até agora por meio de anúncios pagos publicados em jornais. Contudo, segundo denúncia de um ex-funcionário da companhia, outros pagamentos teriam sido feitos através também das empresas Bienfaire, Jandell, Journey Advisors e Hades Production Inc, que ao que tudo indica, estão registradas em paraísos fiscais.
No dia 14 de março, o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro abriu um procedimento investigatório criminal (PIC) para investigar se houve pagamento de suborno para funcionários da Petrobras. A SBM também está sendo investigada pelo Ministério Público da Holanda desde 2012. Tanto ela como a Petrobras dizem ter concluído investigações internas e não encontraram qualquer suborno, mas essas conclusões não devem ser consideradas oficialmente pelas autoridades judiciais.