
Batizada de Hub Gasines, a nova solução vem sendo estudada pelo grupo há oito meses para viabilizar comercialmente o escoamento de novos projetos de produção e de ativos do programa de desinvestimento da Petrobras.
O Hub Gasines será instalado em águas rasas, na divisa do Rio de Janeiro com o Espírito Santo. Com investimentos de US$ 350 milhões a US$ 400 milhões, o sistema terá capacidade de escoamento de 15 a 20 milhões de m³/dia de gás.
O projeto terá uma jaqueta, que será utilizada como Central de Operação e Distribuição (COD). O hub receberá gasodutos de diversos produtores e escoará a produção através de diferentes conexões. Sob esse escopo, o gás poderá ser processado em unidades de tratamento localizadas no eixo do Rio de Janeiro e Espírito Santo.
A premissa do projeto é disponibilizar uma solução compartilhada. Sob esse modelo, a aposta é que o gás possa chegar a costa com um custo menor do que as tradicionais soluções de ponto a ponto, normalmente voltadas a um único sistema de produção e uma única planta de gás onshore.
O projeto será implantado a partir de uma SPE ou um consórcio, coordenado pela EnP. A intenção da EnP é atrair grupos de toda a cadeia de gás, que possam aportar recursos no projeto. O foco está direcionado a empresas produtoras, proprietários de plantas de gás e consumidores.
De acordo com Márcio Félix, presidente da EnP, o projeto vem sendo discutido, informalmente, nos últimos meses com diversos agentes de mercado e de governo, o que inclui BNDES e EPE. A iniciativa será lançada na próxima semana.
“O momento é oportuno, tendo em vista que a Petrobras está anunciando novos desinvestimentos na velha Bacia de Campos, como Marlim, Albacora e Albacora Leste, que podem ser estimulados até por conta dessa possibilidade”, aposta o executivo.
Por enquanto, não foi definida a localização exata do hub. A localização do projeto será escolhida futuramente de acordo com o andamento do projeto, mas a tendência é que sua maior parte ficará no Rio de Janeiro.
Implantação
O planejamento da EnP é buscar recursos e sócios ao longo de 2021, dando início também ao projeto de detalhamento e licenciamento ambiental. Se tudo transcorrer como esperado, Félix projeta que a construção do Hub Gasines poderia ser iniciada em 2022, com operação prevista para 2023.
Inicialmente, o hub terá apenas um trecho de gasoduto até a costa. No futuro, o objetivo é garantir a chegada de gás em cinco pontos diferentes – Macaé, Porto do Açu, Porto Central, Anchieta e Linhares.
Félix reforça que a instalação do Hub Gasines permitirá a conexão da malha submarina de gasodutos do Rio de Janeiro com a do Espírito Santo. O projeto contará com linhas de até 150 km.
O modelo de negócio com as regras de participação e utilização será concebido junto com os futuros sócios. A operação do sistema ficará a cargo de uma empresa de midstream, a ser selecionada no futuro.
O conceito adotado pela EnP para o Hub Gasines é inspirado no Henry Hub, polo de gás da Louisiana, nos EUA.
“Não temos a pretensão de ser um formador de preço do gás, como o Henry Hub, mas queremos pegar carona nessa experiência e colocar um modelo diferente”, afirma Félix.
Fonte: Revista Brasil Energia