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Newsletter - 23/07/26

IATA pede ação urgente para reduzir os gargalos na manutenção de motores de aeronaves

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), em conjunto com uma conceituada empresa de consultoria, publicou um estudo alertando que os gargalos na manutenção, reparo e revisão (MRO – Maintenance, Repair and Overhaul) de motores de aeronaves de nova geração representam atualmente um dos principais riscos operacionais para a aviação comercial mundial. O estudo concentra-se nos motores LEAP, da CFM International, e Geared Turbofan (GTF), da Pratt & Whitney, amplamente utilizados em aeronaves de corredor único, como as famílias Airbus A320neo e Boeing 737 MAX.

Segundo a IATA, a combinação de problemas de durabilidade dos motores, escassez de peças de reposição, baixa disponibilidade de motores reserva (spare engines) e capacidade insuficiente das oficinas de manutenção vem causando atrasos significativos nas operações das companhias aéreas. Como consequência, centenas de aeronaves permanecem em solo aguardando manutenção, peças ou motores substitutos, obrigando as empresas a rever seus planejamentos operacionais.

O estudo destaca que o número de aeronaves equipadas com motores Pratt & Whitney GTF paradas atingiu seu pico em março de 2025, quando 648 aeronaves, equivalentes a aproximadamente 28% da frota mundial equipada com esse motor, encontravam-se fora de operação. Para mitigar os impactos, diversas companhias aéreas precisaram manter aeronaves mais antigas em serviço, prorrogar contratos de leasing, arrendar aeronaves adicionais e reduzir ou ajustar sua oferta de voos.

Embora fabricantes de motores estejam investindo na expansão de sua capacidade produtiva e de manutenção, a IATA considera que o aumento da capacidade, por si só, não será suficiente para solucionar o problema. A entidade defende mudanças estruturais no mercado de pós-venda (aftermarket), incluindo maior disponibilidade de peças de reposição, ampliação das alternativas de reparo certificadas, acesso mais amplo de oficinas independentes às informações técnicas e ferramentas dos fabricantes, além de maior concorrência no setor de manutenção.

Entre as principais recomendações da IATA estão: (i) acelerar o desenvolvimento e a certificação de métodos de reparo para reduzir o descarte de componentes; (ii) ampliar a produção licenciada de peças críticas; (iii) incentivar o uso de peças reutilizáveis certificadas (Used Serviceable Material – USM); (iv) garantir acesso equitativo ao mercado de MRO por prestadores independentes; e (v) incorporar, nos contratos de aquisição de aeronaves e motores, mecanismos que assegurem acesso de longo prazo a peças de reposição com condições previsíveis de fornecimento e preço.

A IATA conclui que a solução depende de uma atuação coordenada entre fabricantes de aeronaves e motores, companhias aéreas, empresas de manutenção, lessors e demais participantes da cadeia de suprimentos.