
A Imetame está interessada em ter um Poço Transparente, informou Miguel Nunez, diretor operacional da companhia, em entrevista ao PetróleoHoje. “Inclusive temos conversado com a ANP para fazer na Bacia de São Francisco, que possui reservas não convencionais e que merece fracking”, afirmou, em relação aos ativos que possui na região.
A Imetame possui dois blocos na Bacia de São Francisco: SF-T-104 e SF-T-114, ambos operados com 51% de participação em parceria com a Cemig (24,50%) e a Codemig (24,50%). A companhia possui, ainda, o SF-T-132, já que a Cemes (Consórcio de Exploração Minas Espírito Santo – composto pela Imetame, Orteng e DELP) opera esse ativo com 51%, em parceria com a Codemig, que detém o restante. “Mas apoiamos que, caso não seja a Imetame, que qualquer outra empresa o faça. Porque efetivamente precisamos colocar que o fracking não é esse ‘bicho papão’ que imaginamos aqui no Brasil”, completou Miguel.
O fraturamento hidráulico em reservatórios não convencionais é um assunto delicado no país. O estado do Paraná, por exemplo, proibiu a prática por tempo indeterminado a partir de uma lei aprovada em 2019 (Lei nº 19.878), em função de potenciais riscos ao meio ambiente e à saúde humana que podem ser impulsionados pelo fracking.
A prática segue sendo proibida no restante do país, devido à falta de regulamentação por parte dos órgãos ambientais ou por ações judiciais. Além dos fatores ambientais, a transição energética e a crise econômica também colocam em dúvida o futuro da exploração de não convencionais no Brasil.
No entanto, o Projeto Poço Transparente está seguindo a sua tramitação no governo. No início deste mês, o MME solicitou que a ANP indique representantes para auxiliarem na elaboração de documentos para o projeto. Posteriormente, esses documentos serão apresentados em consulta pública e ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
A previsão é que o edital e a minuta de resolução do projeto sejam apresentados ao conselho até o final do ano. Em resumo, o projeto prevê a perfuração de ao menos um poço horizontal em reservatório não convencional de baixa permeabilidade por meio da técnica de fraturamento hidráulico, sendo que a operação e as informações geradas nas atividades serão acompanhadas em tempo real pela sociedade, por meio de website.
Fonte: Revista Brasil Energia