Os seis primeiros meses do ano mostram que as importações continuam a ajudar no faturamento da indústria, apesar da desvalorização do real. Dos vinte setores mais importantes da indústria, treze elevaram suas receitas no primeiro semestre, desses, nove tiveram aumento das importações superando o desempenho da produção doméstica. Segundo analistas, a importação continuou a substituir o bem final doméstico, movimento que tende a diminuir com o novo patamar do câmbio, conforme o cruzamento de dados do IBGE (Instituto Brasileiro Geográfico de Estatísticas) e a Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior).
Os dados sobre o faturamento real da CNI (Confederação Nacional da Indústria) também mostram que em quatro segmentos (vestuário, têxtil, alimentos e produtos de metal) o faturamento cresceu mesmo com queda na produção. Os dados por categoria mostram que o volume de importação continua em alta em bens intermediários e bens de consumo não duráveis, com altas de 9,7% e 17,1% no primeiro semestre contra igual perãodo no ano passado. Nesses dois grupos a produção industrial ainda foi bastante fraca, com crescimento de 0,4% e queda de 0,6%, respectivamente, também de janeiro a junho. Para bens de consumo duráveis, o comportamento foi inverso, com alta de 4,9% na produção física e queda de 8,5% na quantidade importada.
A expectativa dos analistas é que a consolidação de um patamar médio de câmbio mais desvalorizado no segundo semestre ajude a desacelerar o ritmo de importação, o que deve permitir, de forma geral, um ganho real de faturamento baseado na produção doméstica. De acordo com dados da Funcex, o volume de vendas ao exterior do segmento calçadista teve alta de 9,5% no primeiro semestre, contra iguais meses de 2012. Os setores de vestuário e têxtil, que também são considerados de baixo valor agregado e com mão de obra intensiva, porém, não apresentaram a mesma evolução. A produção da indústria têxtil caiu 3,95% no primeiro semestre contra mesmos meses de 2012.
A do setor de vestuário teve queda de 2,35%. O volume importado aumentou, respectivamente, 8,5% e 9,5%. No primeiro semestre, a produção física do segmento de máquinas e equipamentos subiu 4,7%, com alta de importações de 0,8%. O faturamento real do setor cresceu 16,14%, contribuindo para puxar a alta da receita da indústria de transformação. Outros setores com ganhos reais de receita também tiveram altas simultâneas de produção e quantum importado no primeiro semestre, como veículos, máquinas, aparelhos e materiais elétricos. Em alguns setores, porém, como farmacêutico e químico, estruturalmente dependentes das importações, as taxas ainda continuarão altas.