A China continua a dominar as exportações brasileiras de óleo bruto em 2019. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), o país asiático recebeu 101,8 milhões de barris (13,9 milhões de t) da commodity produzida no país entre janeiro e abril deste ano, em transações que somaram US$ 5,5 bilhões.
Como comparação, o segundo maior importador do óleo brasileiro, os Estados Unidos compraram, no mesmo período, 13,9 milhões de barris (1,89 milhão de toneladas), no valor total de US$ 593,2 milhões – quase 90% a menos que os chineses.
Ao todo, o Brasil exportou 154,6 milhões de barris de óleo até abril (21 milhões de t) para 12 países, o que rendeu aos cofres nacionais US$ 8,2 bilhões. Em 2018, 428 milhões de barris do óleo brasileiro foram vendidos para 16 diferentes nacionalidades, ante 380,9 milhões de barris para 20 diferentes destinos no ano anterior.
A crescente participação das petroleiras estatais chinesas nas últimas rodadas da ANP, com foco no pré-sal, indica que o protagonismo da China nas exportações brasileiras não cederá tão cedo. No início de maio, a CNODC recebeu da agência autorização para exercer a atividade de agente de comércio exterior – requisito para realizar importação e exportação de petróleo no país.
As estatais chinesas CNOOC, CNODC, Sinopec e Sinochem estão presentes em 19 concessões no Brasil, três em fase de produção e 16 em exploração, de acordo com dados públicos da ANP.
Na maior parte dessas áreas, as companhias detêm partes minoritárias dos consórcios – com participações abaixo de 40%. Em 2017, porém, a CNOOC marcou a estreia de uma companhia chinesa como operadora no Brasil, com a aquisição de 100% do bloco ES-M-667, na Bacia do Espírito Santo, durante a 14ª Rodada da ANP.
A caminho das Índias
A Índia é outro asiático com relevante participação na compra do óleo brasileiro. Nos quatro primeiros meses do ano, os indianos importaram 10,6 milhões de barris – mais da metade do total comprado no ano anterior.
A venda da produção brasileira para o Oriente traz desafios logísticos, demandando a utilização de navios de alta capacidade, como VLCCs. Hoje, apenas o Porto do Açu e os terminais de Angra dos Reis (Tebig) e de São Sebastião (Tebar) – os dois primeiros no estado do Rio e o último, em São Paulo – podem receber este tipo de embarcação. Equinor, Petrobras e Shell, por exemplo, têm contratos para realizar atividades de transbordo no Porto do Açu.
Demanda vizinha
Já nas vendas mais próximas, para a América do Sul, o principal destino do óleo brasileiro em 2019 até abril foi o Uruguai, que importou 8,3 milhões de barris (1,13 milhão de t), seguido de perto pelo Chile, que recebeu 7,7 milhões de barris (1 milhão de t).
Fonte: Revista Brasil Energia