Levantamento da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre o Coeficiente de Exportação e Importação (CEI) mostra que a participação dos produtos de maior valor agregado diminuiu na pauta de exportação do Brasil. A fatia das exportações no total produzido pela indústria de transformação caiu de 22,1%, em 2008, para 21,2%, em 2009. Segundo a entidade, o País exporta mais commodities e importa mais produtos de valor agregado.
Um dos problemas apontados por especialistas para a baixa nas exportações é o dólar fraco. Para Fiesp, o patamar ideal é que o dólar figure entre R$ 2 e R$ 2, 20. As previsões da entidade para o tema são pessimistas e preveem uma retração do superávit comercial de US$ 25 bilhões em 2009, para uma faixa de zero a US$ 5 bilhões neste ano.
Um dos setores que mais sofreram retração na pauta de exportação foi o da indústria de aeronaves, ferrovias e embarcações. Perdeu 28 pontos percentuais na pauta de exportação em apenas 6 anos. Em 2004, as empresas brasileiras exportavam 52,1% da produção; já no ano passado, o percentual despencou para 24,1%.
A situação não foi diferente no setor de veículos e autopeças. Hoje o setor não figura nem entre os 10 itens mais exportados pelo Brasil. De acordo com o levantamento da Fiesp, o dólar baixo faz com que as montadoras importem mais peças e exportem menos veículos. Tanto que a importação – 13,5% -, já é maior que a exportação – 10%.
Em 2005, quando o câmbio era favorável, a realidade era diferente, pois as exportações representavam 23,1% da produção, e as importações 8,6%. Houve um aumento da demanda interna e como o dólar ficou mais fraco, as montadoras importam carros e peças, afirmou Roberto Giannetti, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da entidade.
Para ele o País não pode deixar ocorrer à diminuição dos produtos manufaturados na pauta de exportação. O Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento que consegue exportar automóvel, aviões e máquinas. Temos de manter diversificação.
Giannetti ressalta que as commodities têm preço muito volátil e que o Brasil pode sofrer problemas futuros se não regular o câmbio e estimular exportações. O diretor defende que o Banco Central (BC) se proteja mais contra o capital especulativo e amedrontem o especulador adotando medidas anticíclicas como comprar e vender dólar várias vezes ao dia e limitar a entrada de capitais. O melhor regime é o câmbio flutuante, mas é preciso discutir a conjuntura. Temos taxa de juros elevada, um BC passivo. Com isso o câmbio vira refém do mercado financeiro, não traduzindo a força da economia.
Quando questionado se as medidas seriam aplicadas antes das eleições, Giannetti respondeu que o governo pesquisa o assunto. Os candidatos terão de defender uma taxa de câmbio melhor, independente de partido.
O professor de economia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Luis Antonio Paulino, defende que o Brasil sofre com a redução demanda de exportação e que se o País não adotar medidas contra o câmbio baixo, perderá mercado para a China.
O baixo crescimento do mundo reflete nas correntes de comércio. Estudos da Organização Mundial do Comércio (OMC) mostram que a capacidade ociosa do mundo subiu de 10%, no ano passado, para 12% este ano.
Paulino ressalta que a crise recrudeceu a economia mundial e de maneira geral e houve encolhimento de parceiros importantes como México (queda de 8% no PIB) e Argentina (queda de 1,5%). Exportamos commodities para Índia, China e Europa. Eles nos importam manufaturas.
Outro que se preocupa com a regressão da economia nacional e com a taxa de câmbio é o consultor independente e economista Adriano Porto. Para ele o País ainda não chegou em uma situação de balança comercial alarmista. É um aspecto positivo se recuperar mais rápido da crise. Mas temos que defender os interesses e aplicar medidas corretivas quanto ao dólar do País.
Para ele, o câmbio influi diretamente no denominado macro-preço (relação entre câmbio, inflação nacional sobre o câmbio do resto do mundo). Fica complicado honrar pagamentos, pois o câmbio não acompanha inflação e custos interno.
Porto destaca que o governo pode intervir na cotação do câmbio para ajudar o exportador e minimizar prejuízos. Medidas como fazer controle de entrada de capitais para conter a oscilação da moeda americana. Já se estudam medidas de contenção no meio acadêmico e até mesmo dentro do governo.