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Clippings - 25/09/18

Indústria e governo dão recado firme na abertura da Rio Oil & Gas

Palestrantes ressaltaram a necessidade de se acelerar o aproveitamento dos recursos naturais do país

A abertura da Rio Oil & Gas 2018 foi marcada por um posicionamento firme da indústria do petróleo à respeito da necessidade cada vez mais premente de o Brasil aproveitar a abundância de recursos naturais em seu subsolo.

A fala mais contundente foi a do diretor-geral da ANP, Décio Oddone, que repetidas vezes ressaltou ser necessário ter senso de urgência para aproveitar esses recursos. “Às vezes parece que nós optamos pela pobreza. Temos imensos recursos naturais e estamos discutindo se vamos aproveitá-los ou não”, afirmou.

Ainda nessa direção, Oddone ressaltou que o Brasil não pode colocar o desenvolvimento do imenso volume de reservas nas mãos de uma só empresa, fazendo uma contundente defesa da abertura promovida no setor nos últimos dois anos.

O presidente do IBP, José Firmo, também foi nessa linha, acrescentando que nenhum player do mundo de águas profundas desenvolveu sozinho seus recursos. E também destacou a necessidade de se ter o senso de urgência de aproveitar esses recursos. “Teremos 30 ou 50 anos? Ou 100 anos ou mais? Quanto tempo ainda temos para produzir óleo e gás?”, afirmou.

A mudança de postura da Petrobras nos últimos dois anos, deixando de ser um braço do governo e passando a atuar de acordo com regras de mercado, também foi lembrada pelo dirigente da ANP. Além da área de E&P, essa premissa se estende também às áreas de gás e abastecimento.

Na área do Gás, o ministro de Minas e Energia em exercício, Márcio Félix, disse que o ministro Moreira, que está participando da abertura assembleia da ONU em NY, vem alertando para a necessidade de não se depender do Congresso para aprovar as novas regras para o segmento. A tendência é que o MME lance mão de decretos e medidas provisórias para colocar o novo arranjo do setor para andar. “Ainda neste governo”, revelou Félix.

A ANP também está tomando à frente das discussões e lançará no próximo mês a tomada pública de contribuições sobre medida de incentivo à concorrência no setor de gás natural. A ideia é coletar contribuições sobre como pode ser executada a desverticalização da indústria do gás natural. A agência também lançou processo semelhante para a substituição do GNL por gás natural como combustível de termemlétricas.

A atual proposta de revisão do marco regulatório do gás está parada na Comissão de Minas e Energia da Câmara, sem previsão de ter andamento.

Meta de 40% de mulheres em cargo de liderança na Petrobras

A diversidade de gênero também foi assunto de destaque na abertura, com a diretora de E&P da Petrobras, Solange Guedes, anunciando que a companhia tem uma meta de chegar a 40% das mulheres em cargo de liderança até 2025. A executiva ressaltou a necessidade de o assunto ser debatido pela indústria.

A diretora de E&P também trouxe o tema sustentabilidade à mesa de abertura, já dando os primeiros indicativos de que a revisão do plano de negócios da Petrobras parao período 2019-2023 trará uma ênfase maior na transição energética para uma matriz de baixo carbono, conforme antecipado pela BE Petróleo. “Temos ter em mente as novas demandas sociais, de meio ambiente e de consumo”, enfatizou a executiva.

Momento de transformação na indústria

Os palestrantes também ressaltaram as mudanças pelas quais passou o setor nos últimos dois anos, com a construção de um diálogo entre a ANP e o MME que permitiu com que elas fossem implementadas em tempo recorde. “Há dois anos estávamos aqui e só havia esperança. Havia uma agenda. Hoje estamos aqui comemorarndo essas mudanças”, destacou Félix.

O executivo do MME destacou que essas transformações permitiram ao país arrecadar R$ 21 bilhões em bônus de assinatura em dois anos. Oddone, da ANP, foi além e citou o potencial de arrecadação de R$ 6 trilhões nas próximadas décadas se o Brasil tomar a decisão de acelerar o desenvolvimento de suas reservas, citando o caso específico do excedente da cessão onerosa.

Fonte: Revista Brasil Energia