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Principais destinos de produtos foram China, Chile e Estados Unidos, que ajudaram a alavancar o crescimento de 24% nas vendas externas fluminenses, entre janeiro e agosto deste ano, aponta Boletim Rio Exporta da Firjan Internacional
As indústrias naval, de petróleo e gás continuam com forte peso na economia fluminense, apesar do cenário volátil do mercado internacional. Prova disso foi o crescimento de 24% observado entre janeiro e agosto deste ano, em comparação a igual período de 2021. Os embarques do Rio de Janeiro nesses setores, que somaram US$ 20,5 bilhões no acumulado de oito meses, tiveram como principais destinos a China (US$ 8 bilhões) e o Chile (US$ 1,8 bilhão), com 39% e 9% de participação, respectivamente.
Também houve um importante avanço de 41% das vendas externas para os Estados Unidos, alcançando US$ 1,7 bilhão. Os dados são do Boletim Rio Exporta – Setembro/2022, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com o documento da Firjan Internacional, no total, houve um incremento de 26% nas exportações fluminenses (US$ 27,5 bilhões), graças à elevação de 24% nos embarques de produtos básicos (US$ 20,9 bilhões), 38% nas vendas de produtos semimanufaturados (US$ 2,5 bilhões) e 30% nas exportações de produtos manufaturados (US$ 4,1 bilhões).
Oito entre as dez principais indústrias do Rio cresceram nesse período, com destaque para os segmentos de coques, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (US$ 1,5 bilhão), que registraram aumento de 45%; e de veículos automotores, reboques e carrocerias (US$ 467 milhões), com avanço de 25%. Também houve um crescimento acima de 1000% nas vendas externas de fio-máquina e barras de ferro ou aços (US$ 73 milhões).
No total entre janeiro e agosto de 2022, a corrente de comércio nacional (US$ 406 bilhões) cresceu 25% frente ao ano passado, obtendo um incremento de 19% das exportações (US$ 225 bilhões) e de 32% nas importações (US$ 181 bilhões). “O Rio de Janeiro não apenas acompanha a tendência de crescimento da corrente de comércio brasileira, como apresenta números superiores a essa média. Nesse período, aumentou em 26% sua corrente de comércio, totalizando US$ 44,3 bilhões e garantindo, assim, o segundo lugar na participação nacional, com 11% da corrente”, apontou o coordenador da Firjan Internacional, Giorgio Rossi.
Segundo ele, o grande impacto para esses números positivos ficou a cargo da componente energética: “O Estado do Rio de janeiro, sabidamente, tem um papel preponderante no quesito petróleo, gás e indústria naval. E esses setores estão diretamente atrelados à variação internacional do preço do petróleo e a todos os efeitos e consequências das instabilidades globais – sejam elas econômicas e políticas – antes mesmo, por exemplo, do conflito entre Rússia e Ucrânia”.
Conforme Rossi, do lado das importações, também houve um aumento do volume transacionado pelas indústrias tradicionais e fortes da região, como o cluster automotivo, que figura como segundo polo do Brasil. “Percebemos um aumento de 26% das suas importações. Evidentemente, esses números positivos podem ter reflexos na economia local, tanto na capital como no interior, fazendo com que o aquecimento da demanda se traduza em geração de empregos e também em um interesse das nossas indústrias em ampliar seus horizontes para novos mercados”, ressaltou o coordenador da Firjan Internacional.
Mesmo o cenário tendo sido positivo entre janeiro e agosto deste ano, Rossi alertou que o mercado de petróleo e gás continua sujeito a um cenário de alta imprevisibilidade global e econômica: “A pressão inflacionária, sentida por todos os países, ainda como consequência do desarranjo global da cadeia, pode vir a impactar negativamente esses resultados”.
Outros dados
Excluindo o setor de petróleo e derivados, as exportações fluminenses subiram 33% de janeiro a agosto, somando US$ 7 bilhões, com destaque aos embarques para Portugal (US$ 178 milhões), que tiveram a maior variação positiva no período (534%), fruto das vendas fluminenses de tubos flexíveis de ferro ou aço (US$ 149 milhões), que avançaram mais de 1000% no acumulado anual de 2022.
Com relação às áreas econômicas, é possível observar a variação positiva nas exportações para o continente europeu, ao obter um avanço de 117% para a União Europeia (US$ 827 milhões) e 53% nos embarques (US$ 43 milhões) para o grupo de nações que compõe a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA, em inglês), como Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.
O Boletim Rio Exporta também indicou um volume maior das importações pelo Estado do Rio de Janeiro, entre janeiro e agosto deste ano, alcançando US$ 16,8 bilhões, um valor 26% acima quando comparado a igual período de 2021. A indústria de carvão mineral (US$ 946 milhões) obteve um crescimento de 236% em oito meses, principalmente devido ao aumento das importações de hulhas (composto mineral bastante usado pela indústria).
Fonte: Revista Portos e Navios
