Medida atende a uma determinação do MPF, devido à mortandade de botos-cinza
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) decidiu ontem suspender por 15 dias uma dragagem da Vale, na Baía de Sepetiba, onde cerca de 150 botos-cinza já morreram devido a um surto de morbilivirose — que afeta cérebro, pulmões e sistema imune de cetáceos. Na segunda-feira da semana passada, o Ministério Público Federal (MPF) tinha dado um prazo de 72 horas para que o instituto revogasse espontaneamente a licença para a atividade até “a completa normalização” da situação. E, ontem pela manhã, o procurador da República Sergio Gardenghi Suiama chegou a ameaçar entrar com uma ação na Justiça contra o órgão, caso não fosse determinada a paralisação.
Estudos apontam que as dragagens podem revolver do fundo da baía metais pesados lançados há décadas na região. Entre eles, está o cádmio, que afetaria a imunidade dos animais e, portanto, contribuiria para que o morbilivírus fosse mais letal em Sepetiba.
Pesquisas do oceanógrafo Mauro Gerales, da Uerj, identificaram, por exemplo, que as áreas com anomalias de concentração de metais se localizam, sobretudo, nos arredores do Porto de Sepetiba e na barra do Rio Guandu.
— O problema, no entanto, não é só a dragagem — afirma o procurador Suiama.
— É também uma postura do Inea como órgão ambiental e corresponsável pelas atividades na baía. Parece que não caiu a ficha da gravidade do problema, que pode exterminar 70% da população de botos da região.
A causa da morte é o vírus. Só que precisamos tornar o ambiente menos inóspito para o boto. A única coisa que o Inea tinha feito até agora era ajudar a recolher cadáveres.
Fonte: Jornal O Globo