A mudança na estratégia da Petrobras para a Bacia de Campos desde 2023, marcada pela suspensão da política de desinvestimentos e pela retomada gradual dos investimentos em produção e exploração, tem permitido a recuperação da produção da bacia, além da identificação e do desenvolvimento de novos reservatórios, reforçando a permanência de seu potencial energético.
Essa é a avaliação principal da segunda edição do Boletim Norte Fluminense elaborado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), que também aponta os desafios que ainda persistem para sustentar essa recuperação.
Segundo a publicação, os resultados dessa estratégia já podem ser observados nos números do primeiro trimestre de 2026. A produção média de petróleo e gás da Bacia de Campos alcançou 893,8 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), volume 13,14% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando a produção foi de 789,99 mil boe/d.
Desse total, a produção de petróleo representou 793,69 mil boe/d no 1T26, um aumento de 10,59% em comparação com o 1T25, enquanto o gás natural foi responsável por 100,10 mil boe/d, apresentando um aumento ainda maior, de 38,41% no mesmo intervalo. Com isso, a bacia respondeu por 16,8% da produção nacional de petróleo e gás no período, conforme dados do boletim, baseados nos dados da ANP.
No 1T26, a produção da Bacia de Campos registrou a maior média de produção desde o 1T21. Na comparação entre os períodos, houve um aumento de 1,23% na produção de petróleo e 0,19% na produção de gás natural. Embora tímido, esse cenário demonstra o melhor primeiro trimestre de produção em cinco anos, evidenciando uma trajetória de recuperação da Bacia de Campos, segundo o boletim.

A publicação destaca a participação relevante da Petrobras na Bacia de Campos. De acordo com os números destacados pela publicação, a Petrobras foi responsável pela produção de 616,9 mil boe/d como operadora, o que representa 69% da produção no 1T26 na bacia. Em contrapartida, as demais petroleiras, nacionais e multinacionais, operaram a produção de 276,8 mil boe/d, o que correspondeu a 31% da produção na bacia no mesmo período.
Enquanto concessionária, a Petrobras representou 63,8% do total da produção, registrando uma marca de 570,9 mil boe/d; já as demais petroleiras, nacionais e multinacionais, corresponderam por 322,8 mil boe/d, o que representa 36,2%. A participação relativa da Petrobras na produção da bacia, atuando entre operadora e concessionária, apresentou um leve aumento em comparação com o 1T25.
Como operadora, a estatal expandiu a sua participação de 67,2% (530,9 mil boe/d) para 69% (616,9 mil boe/d); já na condição de concessionária, a companhia aumentou sua atuação de 60,3% (475,9 mil boe/d) para 63,8% (570,9 mil boe/d).
As demais petroleiras apresentaram queda em sua participação relativa na produção na Bacia de Campos na comparação entre o 1T25 e 1T26. Como operadoras, a participação caiu de 32,8%, (259 mil boe/d) no 1T25, para 31% no mesmo 1T26 (322,8 mil boe/d). Na mesma lógica, na condição de concessionárias, a participação das demais petroleiras recuou de 39,7%, com produção de 314 mil boe/d, para 36,2%.
Na visão do Ineep, entre os fatores que contribuíram para esse desempenho estão o encerramento da política de privatizações e a reaquisição de áreas na Bacia de Campos, tanto por meio de leilões quanto por operações de compra e recompra de ativos. Entre 2023 e 2025, a Petrobras contratou três blocos exploratórios na região durante o 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha (3º OPP).
Outro destaque citado pelo instituto é a retomada das atividades exploratórias da Petrobras na Bacia de Campos, que resultou em novas descobertas. Em 2025, a companhia perfurou cinco poços exploratórios na região, o maior número desde 2011, quando haviam sido perfurados seis poços.
“Esse movimento possibilitou a identificação de novos reservatórios, com destaque para o pós-sal em Sudoeste de Tartaruga Verde e o pré-sal em Marlim Sul, evidenciando que, apesar de madura, a bacia ainda possui expressivo potencial energético a ser explorado”, afirma.
Acelerar projetos de revitalização
Mas para o Ineep, apesar dos avanços, permanecem desafios importantes, como o adiamento de investimentos da Petrobras na bacia.
“No Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras manteve a tendência de adiar a contratação de plataformas destinadas aos projetos estruturantes de revitalização da Bacia de Campos, postergando esses investimentos para o período posterior a 2030. Além disso, o plano prevê a perfuração de apenas 11 poços exploratórios nas bacias do Sudeste ao longo do quinquênio, dos quais somente cinco serão destinados à Bacia de Campos. Trata-se de um volume considerado limitado, sobretudo diante das novas aquisições de áreas exploratórias realizadas pela companhia em 2025”, diz a publicação.
Embora os resultados recentes demonstrem uma trajetória de recuperação da Bacia de Campos, o boletim ressalta que é fundamental acelerar os projetos de revitalização, ampliar a aquisição de novas áreas exploratórias e fortalecer os investimentos na busca por novos reservatórios. “Essas medidas são essenciais para garantir a manutenção e a expansão da produção, a reposição das reservas e a geração de benefícios energéticos, econômicos e sociais para o país e para o Norte Fluminense”, conclui.
Fonte: Brasil Energia.