Aos 21 anos e com porte de modelo, a presidente da Intermarine, Roberta Ramalho, representa a novíssima geração do meio náutico. O rosto delicado, maquiado e emoldurado por cabelos longos, esconde uma esportista que tem como hobby o salto a cavalo e que no mar busca velocidade e adrenalina. O primeiro marco de sua gestão foi no ano passado, quando a empresa voltou a produzir uma lancha offshore (modelo esportivo, de alto desempenho), de 48 pés, que atinge 105 km/hora e custa em torno de R$ 2,5 milhões. Projetado para seu uso pessoal, o barco teve o design premiado e já tem quatro encomendas.
Roberta diz que no ano passado o estaleiro produziu 29 barcos (em torno da média dos três anos anteriores), mas ela estima dar um salto para 42 unidades em 2015. Apesar de a projeção ser surpreendente diante de uma economia fraca que também afeta o setor de barcos para lazer, a empresária a justifica pela volta da clientela antiga.
“Já estamos com todo o primeiro trimestre vendido e contratamos trinta colaboradores a mais para suprir a demanda do ano”, diz ela. Roberta prefere não revelar os preços, mas diz que o tíquete médio da empresa é de R$ 6,5 milhões. O barcos mais vendidos têm entre 60 e 65 pés e o preço de cada unidade pode atingir 30% a mais do valor básico, conforme os acessórios escolhidos.
Roberta também está de olho nos brasileiros que gostam de passear em Miami. Está em fase de pré-produção, na fábrica da Intermarine em Osasco, um luxuoso iate de 95 pés, com trinta metros de comprimento, que pesa 100 toneladas. É um barco muito grande para o padrão brasileiro, onde há poucas marinas capazes de receber uma embarcação desse porte.
Mas os clientes para este barcão seriam os brasileiros com apartamentos ou casas em Miami. No fim deste ano, a empresa fará a primeira entrega desse iate, que comporta 25 pessoas. Ele será transportado por navio. Já há sete unidades vendidas.
Roberta é economista formada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas e desde 2013 está à frente da Intermarine. Muito cedo, diz, foi treinada para assumir o lugar do pai, o empresário Gilberto Ramalho. Ele morreu em 2009 num desastre de helicóptero, do qual ela e outros membros da família sobreviveram. Para Roberta, estar no posto de presidente da companhia, apesar da pouca idade, é natural. “Meu pai comprou a fábrica em 1980. Eu nasci e cresci aqui. A Intermarine é praticamente meu irmão mais velho”.
À frente de 650 funcionários, Roberta diz que se sente apoiada. “Meu pai deixou uma cultura, uma equipe treinada”, afirma. A Intermarine figura entre as três maiores do país no setor náutico, ao lado de Ferretti e Schaefer.
Nos tempos áureos, a Intermarine era muito maior. Com a morte de Ramalho, a empresa deixou de ser administrada pela família, perdeu mercado e encolheu. Agora vive um momento de retomada, na contramão do setor, que tem tido “crescimento zero e apenas sobrevivido”, segundo Lenilson Machado, diretor-executivo da Associação Brasileira de Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar).
Mas Roberta está confiante. A volta da família ao comando coincide com o reposicionamento da marca, que inclui renovação na linha de produtos com a retirada de modelos antigos e lançamentos.
“A Intermarine já passou por muitas crises e continuamos aqui”, diz ela, que começa a entender a complexidade do negócio. “Acho que o mais difícil é lidar com as pessoas, entender cada um e fazer com que todos vistam a camisa”. Essa é sua missão diária sempre que chega à fábrica, cujas instalações ultramodernas ocupam 50 mil metros quadrados, e é uma espécie de oásis no centro de Osasco, na Grande São Paulo.