Apesar das críticas à modelagem dos editais, investidores do setor de portos já analisam as oportunidades e desenham suas estratégias. Muitos investimentos estão previstos para os terminais existentes, mas as empresas condicionam esses projetos à renovação antecipada dos contratos. Segundo Pedro Brito, diretor geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a agência já recebeu 12 pedidos de renovação, entre os quais os da ADM, Cosan, Santos Brasil, Libra e TCP.
Segundo Antonio Henrique Silveira, ministro da Secretaria Especial dos Portos (SEP), esses pedidos serão estudados caso a caso. Já está claro que a realização de investimento não é a única condicionante. A Antaq está concluindo a resolução 3099, que recebeu 200 contribuições da consulta pública e trata das condições do reequilíbrio econômico financeiro após a renovação e os investimentos. Nenhum contrato será renovado antes da publicação dessa resolução, avisa Brito.
No caso da Libra, a principal condicionante, segundo ele, é a resolução da pendência jurídica com a Cia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), envolvendo os terminais 34 e 35 do Porto de Santos. Segundo Renato Barco, presidente da Codesp, os contratos foram assinados em 1998, mas a Libra entrou com questionamentos e deixou de pagar pelo arrendamento. Pelos cálculos da Codesp, a dívida gira em torno de R$ 1 bilhão, mas a Libra teria depositado em juízo cerca de R$ 300 milhões. Devido à divergência dos valores, a discussão deve ir para arbitragem, diz o presidente da Codesp.
Caso consiga renovar os contratos, a Libra vai investir R$ 750 milhões para integração dos berços de seus três terminais em Santos, que vai elevar a capacidade de 900 mil TEUS para 1,65 milhão de TEUs. Segundo Marcelo Araújo, presidente do Grupo Libra, a empresa analisa arrendamentos com foco em contêiner e carga geral.
A Santos Brasil pediu a renovação do contrato em agosto e tem programados investimentos de R$ 800 milhões. No Pará, analisamos todas as áreas de granéis sólidos e líquidos, mas a profundidade não chega a 9 metros, e o terminal de Belém é menor do que o que já operamos em Vila do Conde, diz Mauro Salgado, diretor comercial da empresa.
A TCP investiu R$ 365 milhões para elevar a capacidade de 1,2 para 1,5 milhão de TEUs. A empresa negocia com o governo a antecipação da renovação do contrato que vence em 2023 e a extensão do cais em mais de 200 metros, um investimento de R$ 700 milhões. Os terminais têm de se adaptar à nova realidade dos navios, diz Luiz Alves presidente da TCP.
Estamos entrando com um pedido para um terminal de granéis líquidos no Nordeste com investimentos de R$ 150 milhões, diz Juliana Baiardi, diretora de logística da Odebrecht Transport.
Segundo Henry Robinson, diretor-presidente da BTP a empresa vai utilizar a expertise de seus sócios para a identificação das boas oportunidades.