Desvalorização do Brent faz com que companhias revisem planos de negócios. A queda do preço do barril do petróleo já começou a afetar os investimentos das maiores petroleiras do mundo. Entre meados de junho de 2014 e esta segunda-feira (26/1), a cotação do Brent sofreu uma variação negativa de 58,14%, caindo de US$ 115,06 para US$ 48,16
A britânica BP informou em dezembro que realizará uma reestruturação de upstream e downstream. A companhia buscará focar no valor dos investimentos, ao invés da quantidade, até 2020. A petroleira não relacionou a mudança de direção com a queda no preço do barril, mas afirmou que atualmente tem mais oportunidades do que a estrutura de capital da empresa permite.
Seguindo a mesma lógica, Patrick Pouyanné, CEO da francesa Total, afirmou em entrevista ao Financial Times na última semana que os investimentos da área de exploração da companhia sofrerão um corte de 30%, caindo para menos de US$ 2 bi em 2015. O capex da empresa diminuirá cerca de 10% este ano, frente aos US$ 26 bi de 2014.
As petroleiras também têm anunciado fim de acordos e demissões em massa. A imprensa internacional noticiou que cerca de 10.000 trabalhadores ficaram sem emprego no México, após a Pemex decidir pela não renovação de contratos. A Chevron e a BP também estão reduzindo suas equipes no Mar do Norte.
Já a Statoil cancelou contratos de sondas, como a Songa Trym, da Songa Offshore, e a Transocean Spitsbergen, da Transocean.
No Brasil, a Petrobras está revisando o Plano de Negócios 2015-2019, mas já informou que implantará ações voltadas para a preservação do caixa, com medidas que incluem a antecipação de recebíveis e a redução do ritmo dos investimentos em projetos.
Grandes produtoras, a Shell e a Exxon têm nos próximos dias reunião com analistas para apresentação dos resultados financeiros. Nos eventos, as petroleiras deverão anunciar o investimento previsto para 2015.
Em novembro de 2014, durante a International Oil Conference, em Viena, o presidente da Rosneft, Igor Sechin, defendeu uma resposta mais pró-ativa das grandes companhias às mudanças no mercado. Ele pediu por ações mais coordenadas entre as empresas, em busca do equilíbrio entre a produção e a demanda. O presidente do conselho de diretores da Saudi Aramco, o ministro de Energia do México e o ministro de Relações Exteriores da Venezuela também participaram do evento, que terminou com a proposta de realização de reuniões semestrais em 2015 para monitorar a situação.