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Clippings - 04/09/26

Investimentos em Paranaguá e TUPs em SC e RS ampliam disputa por cargas na região Sul

Previsão é que portos paranaenses recebam R$ 5 bilhões nos próximos três anos. Setores empresariais do Paraná, no entanto, defendem mais aportes em projetos de TUPs, a exemplo do que ocorre nos estados vizinhos, a fim de ampliar competitividade regional

Os investimentos bilionários previstos para o porto organizado de Paranaguá (PR) nos próximos anos e os projetos greenfield e de expansão dos terminais de uso privado no Rio do Sul e em Santa Catarina devem aumentar a competitividade pela carga na região sul do país. Segmentos empresariais do Paraná, no entanto, defendem um aumento dos aportes nos TUPs no estado, a exemplo do que ocorre nos seus dois vizinhos e nas demais regiões do Brasil.

O porto paranaense já está executando o plano de investimentos de R$ 5 bilhões, que serão aplicados nos próximos três anos. O valor inclui os investimentos no canal de acesso pelo novo concessionário (R$ 1 bilhão), as obras do Moegão (cerca de R$ 700 milhões) e os investimentos dos novos arrendatários dos terminais licitados recentemente, que somam R$ 4 bilhões.

O Porto de Paranaguá, segundo maior complexo portuário do Brasil, movimentou, até agosto, 46.859.141 toneladas e projeta um desempenho em linha com 2025, ano de movimentação recorde de 73,5 milhões de toneladas. Mas pode ocorrer uma ligeira retração, em parte em função da desaceleração da demanda por açúcar e importação de fertilizantes. Soja tem crescido 10% e milho deve ter ligeira redução. Em 2025, o porto cresceu 10,1% e o volume recorde só era esperado apenas a partir de 2035. As cargas conteinerizadas também bateram recorde movimentando 1.662.370 TEUs. Em 2026, devem crescer 9%.

Com a construção do Moegão, os terminais em Paranaguá vão precisar se conectar a ele a fim de centralizar a distribuição de grãos e farelo. Os investimentos a partir dessas conexões chegam a R$ 1 bilhão. O primeiro terminal a se conectar será o da Louis Dreuyfus.

Os novos projetos devem estar operacionais em três anos e deverão dobrar a capacidade de Paranaguá hoje em 40 milhões de toneladas de granéis sólidos. O porto tem 15 terminais de exportações de granéis sólidos, integrados em três estruturas de exportação: o Corredor de Exportação Leste com 10 terminais integrados; o Corredor de Exportação Oeste, com 5 terminais; e a Basa, terminal que tem conexão direta com o porto. “Nos últimos anos, a autoridade portuária trabalhou na renovação e regularização dos contratos que estavam em caráter precário, realizando novas licitações”, disse à Portos e Navios Gabriel Vieira, diretor de operações do Porto de Paranaguá.

Ele explicou que o PAR-09, antes operado pela Bunge, recebeu um projeto em que dentro do investimento em capacidade estática está também a obrigação de construção de dois novos berços – um do terminal e um público – com capacidade de 4 mil toneladas/hora por correia ou 8 mil por berço, totalizando 16 mil toneladas/hoje para os cinco terminais. O terminal opera soja, milho e farelo de soja.

“Hoje, o terminal 201 que é conectado ao Corredor Oeste, com capacidade de 4 mil toneladas. Com o investimento de mais de R$ 1 bilhão no terminal, a estrutura de berço passará de 4 mil parra 16 mil toneladas/hora. A licitação foi vencida pelo fundo de investimentos Grupo Quadra e, após uma transferência entre investidores, hoje está sob gestão do FTS. O terminal tem os próximos três anos para realizar os investimentos”, disse Vieira.

Esse é um dos projetos do píer em formato de ‘T’, uma estrutura a ser construída dentro de três contratos leiloados no ano passado – PAR-14, PAR-15 e PAR-25. O primeiro é uma consolidação entre o antigo terminal da Centrosul, um terminal púbico (Silão) e uma área greenfield. A capacidade será de mais de 320 mil toneladas estáticas e a obrigatoriedade de aporte financeiro de mais de R$ 300 milhões. A área foi vencida pelo BTG, que hoje é operador do terminal. O PAR-15, controlado pela Cargill, que venceu o leilão se mantendo na área com aporte de R$ 400 milhões. Já o PAR-25, operado pela Interale com a Louis Dreyfus, que venceu o leilão com a Amaggi.

“Temos grandes operadores exportadores, trades, bancos e fundos e investimentos. Além desses terminais do chamado ABCD, (Amaggi, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus) e também a Coama, a Cotriguaçu, outros grandes terminais. Os leilões tinham a obrigatoriedade de aporte financeiro para que o porto construísse a primeira perna o píer em T. Os outros terminais se interessaram em fazer a segunda e agora, fechando nosso processo de licenciamento ambiental teremos licença para a construção do píer em ‘R’ e o píer em ‘T’, onde passamos de uma capacidade de 9 mil toneladas/hora de embarque em três berços, para 32 mil toneladas/hora em quatro berços”, destacou o diretor de operações.

Acesso aquaviário
A concessão do canal de acesso vai elevar o calado em dois metros, com investimentos em melhorias e dragagem. Há benefícios para a autoridade portuária que tem garantia de investimento e não tem mais de fazer licitação de dragagem. O ecossistema portuário está tendo descontos superiores a 20%. A concessionária assumiu a gestão do canal em 1º de agosto e tem contrato por 25 anos.

“Muito se fala em terminais de uso privado (TUPs), mas o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) tem uma capacidade de 2,6 milhões de TEUs e tem a maior capacidade escoamento de contêineres refrigerados da América do Sul para proteína — carne bobina e de frango. E muita demanda de papel e celulose e madeira, além do segmento automotivo”, elencou Vieira.

Competitividade regional
Entidades empresariais do Paraná, porém, gostariam de ver mais investimentos em TUPs, e não apenas no porto público. Elas consideram que, enquanto estados vizinhos anunciam investimentos bilionários em novas estruturas, o Paraná ainda apresenta forte concentração de suas operações no modelo de porto público. Para elas, o cenário acende um alerta para a competitividade logística do estado nos próximos anos, especialmente diante da expansão portuária de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Hoje aproximadamente 58% das operações portuárias brasileiras estariam concentradas em terminais privados e 42% em estruturas públicas. “No Paraná, a relação seria praticamente inversa: apenas 8% em terminais privados e 92% em estruturas públicas e áreas arrendadas”, comparou o superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr.

Nelson Costa, superintendente da Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Fecoopar), avalia que, além do que está sendo programado de investimento no Porto do Paranaguá, a prioridade são os novos portos para o setor. Ele mencionou os projetos do Porto de Guará, do Porto de Pontal do Paraná e do Porto de Itapoá, em Santa Catarina, como alternativas ao setor. “Precisamos ampliar a oferta de portos para embarque. Isso é fundamental e faz com que haja uma competição entre os próprios terminais, o que ajuda a reduzir o custo de logística”, defendeu Costa.

Já o presidente do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ágide Eduardo Meneguette, disse que fosse possível priorizar apenas um investimento estruturante para transformar definitivamente o litoral do Paraná, seria o aumento significativo da capacidade portuária. “O gargalo das exportações é extremamente limitante para qualquer desenvolvimento dos negócios. Na ponta final, o processo tem que fluir”, sugeriu Meneguette.

Dados recentes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que a participação dos terminais privados no Brasil é ainda maior quando considerada a movimentação de cargas: cerca de 65% da movimentação portuária nacional ocorre atualmente em TUPs. Para a agência reguladora, os TUPs são estratégicos para ampliar a capacidade logística, atrair investimentos e aumentar a competitividade brasileira no comércio exterior.

Santa Catarina
Em agosto, foi autorizada a operação do TGSC – Terminal de Granéis de Santa Catarina, localizado em São Francisco do Sul e que será dedicado à exportação de granéis agrícolas, com capacidade de até 6 milhões de toneladas por ano na primeira fase. A permissão foi concedida à Bunge Alimentos, para a operação desse TUP. Também está em fase de licenciamento ambiental o Porto Brasil Sul, que planeja se instalar na Praia do Sumidouro, em São Francisco do Sul.

Já a Coamo, cooperativa paranaense e uma das maiores do agronegócio brasileiro, anunciou investimento de R$3 bilhões para construir um novo terminal portuário privado em Itapoá, no litoral Norte catarinense. O empreendimento contará com três berços de atracação e terá capacidade prevista para movimentar 11 milhões de toneladas por ano. A Coamo já utiliza Paranaguá para o escoamento de aproximadamente 5 milhões de toneladas por ano por meio de seus terminais e decidiu criar uma alternativa logística em Santa Catarina.

“Quando analisamos as operações de grãos e de farelos da Coamo e da Bunge em Paranaguá, podemos perceber que, juntas, elas movimentam quase 7 milhões de toneladas de cargas, e, em breve, este mesmo volume será movimentado em seus terminais privados em Santa Catarina”, afirmou João Arthur, da Fiep.

Além do novo empreendimento, o Porto Itapoá já opera como TUP e vem passando por sucessivas ampliações. Santa Catarina também conta com Portonave, em Navegantes, e com outros terminais privados em seu sistema portuário. O Ministério de Portos e Aeroportos informou, em 2025, que o estado acumulava mais de R$5,3 bilhões em investimentos públicos e privados na infraestrutura portuária. Em 2025, os portos catarinenses movimentaram 65,7 milhões de toneladas, crescimento de 4,78% em relação a 2024. São Francisco do Sul atingiu 17,5 milhões de toneladas, enquanto o Porto Itapoá movimentou 15,5 milhões e a Portonave, 10,8 milhões de toneladas.

Rio Grande do Sul também aposta em novos TUPs
Há novos projetos de TUPs também no Rio Grande do Sul. Em Arroio do Sal, no litoral Norte gaúcho, está previsto o Porto Meridional, empreendimento autorizado como TUP, com investimentos próximos de R$1,3 bilhão para movimentação de granéis sólidos, líquidos e gasosos, cargas gerais e contêineres. Outro investimento de grande porte está relacionado ao Projeto Natureza, da CMPC. A expansão industrial da companhia exigirá a implantação de dois novos TUPse no estado, localizados em Rio Grande e Barra do Ribeiro, com investimentos estimados em aproximadamente R$1,4 bilhão. A estratégia gaúcha prevê ainda integração entre indústria, transporte hidroviário e terminais marítimos, reduzindo custos de transporte e criando capacidade adicional para exportações.

Fonte: Portos e Navios.