Para executivos de petroleiras privadas, país deve simplificar ainda mais a regulação no setor
A Total e a BP estão avaliando ajustes de seus investimentos em projetos de E&P no Brasil em função dos efeitos da crise econômica e sanitária causada pela Covid-19, informaram os presidentes das companhias no país, Philippe Blanchard e Adriano Bastos, respectivamente, durante webinar promovido pela FGV Energia na segunda-feira (1/6).
“O nível dos nossos investimentos em águas profundas será mais baixo em 2020 e, para os projetos que ainda não foram validados, vamos reduzir os investimentos também. Mas nosso compromisso com o Brasil não mudará”, afirmou o executivo da petroleira francesa.
No país, a Total tem participação em 20 blocos exploratórios, com destaque para o C-M-541, em Campos, onde há prospectos de classe mundial com campanhas previstas para o final do ano e o início de 2021, e o campo de Lapa, em Santos, que está em etapa de desenvolvimento da produção.
Adriano Bastos, da BP, disse que a companhia está analisando caso a caso, junto aos seus parceiros. “Provavelmente, alguns projetos sofrerão ajustes”, afirmou Adriano. A britânica opera cinco ativos exploratórios em Campos, dois em Santos, um em Barreirinhas e um na Foz do Amazonas.
O country-manager da Chevron no Brasil, Mariano Vela, ressaltou que a companhia está focando em projetos de ciclo curto, com o objetivo de gerar fluxo de caixa positivo. “Em um momento de crise, a empresa vai investir em locais mais competitivos”, observou.
A petroleira norte-americana é operadora de dois blocos em Santos (S-M-764 e S-M-766) e um em Campos (C-M-845).
O vice-presidente da Equinor, Paulo Van Der Ven, declarou que a companhia não tem, até o momento, cancelamentos ou adiamentos de projeto em vista no Brasil e que seguirá com o cronograma de seus empreendimentos offshore, como Bacalhau, BM-C-33 (Pão de Açúcar) e Peregrino Fase 2.
Os participantes do webinar alertaram que somente a geologia brasileira não dará conta de atrair investimentos maciços para o país na crise, sendo importante haver uma simplificação da regulação, como a volta a um regime único de concessões – o que já é analisado pelo governo.
Fonte: Revista Brasil Energia