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Clippings - 04/11/22

IPT não vê gargalos técnicos, mas avalia que tempo para instalação de eólicas pode ser curto

Arquivo/Divulgação

Instituto de pesquisas avalia que Brasil possui tecnologia e precisará encarar desafios para adequar projetos a fim de aproveitar do modo mais eficiente possível capacidades dos locais escolhidos para implantação de parques geradores no mar

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) avalia que não existem gargalos em termos técnicos e de engenharia para a instalação de parques eólicos em águas jurisdicionais brasileiras (AJB), mas considera que o tempo de implementação desses empreendimentos poderá ser relativamente curto. O pesquisador Carlos Padovezi, do Laboratório de Infraestrutura em Energia da unidade de negócios em Energia do IPT, observa que as soluções para implantação de geradores eólicos no mar são conhecidas, com necessidade de adaptações aos locais escolhidos na costa brasileira.

Padovezi entende que o Brasil possui tecnologia de construção e instalação de sistemas de plataformas fixas (no fundo do mar, em áreas de baixas profundidades) e flutuantes (em águas profundas), assim como fabrica pás de turbinas eólicas, geradores elétricos e sistemas de controle. “Não existem gargalos tecnológicos para projeto, construção, instalação e operação de parques eólicos offshore no Brasil”, afirmou. Para o pesquisador, o desafio é adequar os projetos para aproveitar de modo mais eficiente possível as capacidades dos locais escolhidos para a implantação de parques eólicos.

“Desde que haja a decisão de instalação de parques eólicos offshore, baseada em estudos econômicos e ambientais, os projetos terão tempo de implementação relativamente curtos”, analisou Padovezi, em entrevista à Portos e Navios. Ele explicou que as pesquisas também são necessárias para determinar os efeitos ambientais de parques eólicos — ou outro tipo de sistema de geração de energia — no mar, estudando possíveis impactos na biodiversidade marítima e em atividades econômicas, como a pesca.

Além das pesquisas relacionadas à exploração eficiente de petróleo e gás no mar, nas condições brasileiras de altas profundidades e grande extensão da camada de sal no fundo, o IPT identifica que existem pesquisas relacionadas ao descomissionamento ambientalmente adequado de plataformas marítimas e com a geração de energias de fontes sustentáveis que, além da eólica, inclui como fontes ondas e marés.

Padovezi acredita que devem ser buscadas as áreas da costa brasileira onde ocorrem ventos de maiores intensidades e próximos da costa, onde possa ser transferida a energia gerada às linhas de transmissão de energia elétrica existentes. Ele percebe três regiões de alta intensidade de ventos, com grande potencial de exploração da geração eólica offshore, consideradas áreas mais adequadas para instalações de geradores eólicos: faixas das costas entre Sergipe e Alagoas, entre Rio Grande do Norte e Ceará e entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Em outras regiões da costa, com menores intensidades médias de ventos, também podem ser instaladas turbinas que tenham rendimento adequado. Hoje, o potencial brasileiro para geração de energia eólica terrestre (onshore) é estimado em 70 gigawatts (GW). A capacidade instalada das hidrelétricas e demais instalações terrestres é da ordem de 163,8 GW. Enquanto o potencial de geração offshore pode chegar a 700 GW, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

O IPT também nota que, com a perspectiva da parada de produção e no desmonte de plataformas marítimas, no transporte e em nova destinação dos materiais e equipamentos de todas as suas instalações, tanto aquelas submersas como as localizadas fora d’água, a que se dá o nome de descomissionamento dessas plataformas, abre-se uma janela de oportunidade para a geração de energia. “Duas situações geralmente levam à necessidade de descomissionamento, uma é o final de vida útil da plataforma, outra é a queda de produção, a ponto de tornar-se economicamente inviável”, explicou Padovezi.

Padovezi projeta que todas essas instalações algum dia deverão ser desativadas e descomissionadas. Dessa forma, todos os equipamentos, componentes e materiais deverão ser retirados e ter uma destinação adequada, seja para reaproveitamento e reutilização ou para transformação em sucata. “O descomissionamento requer estudos técnicos, econômicos e ambientais aprofundados de alternativas de desmontagens e de destinação de resíduos”, comentou.

Esse desfecho envolve trabalhos complexos de desativação e de transporte de partes, assim como de destinação final. O pesquisador ressaltou que todas as atividades relacionadas ao descomissionamento resultarão em bastante trabalho no país em que for realizado, equivalente ao necessário para projeto, construção e instalação de uma plataforma marítima.

Padovezi chamou a atenção para a característica de multidisciplinaridade do IPT, que reúne condições técnicas para elaborar estudos de alternativas de descomissionamentos de plataformas marítimas. “A atividade deverá envolver as áreas técnicas do instituto especializadas em equipamentos, materiais, operações e transportes no mar, além do reaproveitamento de resíduos, análise de riscos de operações e impactos ambientais”, destacou.

O pesquisador lembrou que o Brasil tem maior número de plataformas marítimas de produção de petróleo e gás em grandes profundidades. Essas instalações de alta complexidade requerem maiores cuidados no descomissionamento, tanto na fase de planejamento técnico como na fase operacional de desmontagem, transporte, desmantelamento e destinação final de equipamentos e materiais. O IPT aposta no apoio tecnológico na etapa de escolha de alternativas e de planejamento, assim como participando do acompanhamento e monitoramento das etapas operacionais do descomissionamento.

Na geração eólica, o IPT oferece testes e simulações de aerogeradores em túnel de vento. Padovezi explicou que esses ensaios buscam determinar a melhor configuração das torres eólicas, para que se possa determinar a maior eficiência, evitando efeitos das esteiras de um aerogerador no outro e encontrando a posição mais otimizada que ofereça maior eficiência energética. Também serão determinadas as cargas de vento nas estruturas, para efeito de dimensionamento das torres eólicas e de suas pás.

“Há casos de ensaios de modelos reduzidos de parques eólicos em túneis de vento da Europa, da América do Norte e no túnel de vento do IPT também já foram realizados ensaios da interferência de um aerogerador no que está à sua jusante”, complementou o pesquisador Gilder Nader, do Laboratório de Vazão na unidade de negócios em Tecnologias Regulatórias e Metrológicas do IPT. Segundo Nader, a exploração da energia eólica em mar aberto é uma das maiores promessas de rendimento energético. “No entanto, deve-se ficar atento às condições das estruturas e corrosões, que poderão ser acentuadas nos componentes metálicos instalados em mar aberto”, concluiu.

Fonte: Revista Portos e Navios