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Clippings - 27/01/26

JBS Terminais se prepara para concessão definitiva do porto de Itajaí

– “Os nossos concorrentes estão ali do outro lado. Não podemos relaxar.”

Aristides Russi Jr aponta para a outra margem do rio Itajaí-Açu, o canal de acesso ao porto de Itajaí, em Santa Catarina. É onde está a Portonave na vizinha cidade de Navegantes, terminal que é investimento da TiL (Terminal Investment Limited), braço da multinacional MSC, sediada na Suíça.

A possível participação da JBS Terminais, companhia da qual é o CEO, no leilão do Tecon 10, em Santos, domina as discussões sobre a empresa. Mas sobre isso, ele escapa pela tangente.

O executivo diz que o assunto não está definido. Depende dos termos do edital ainda não publicado. Vale mais a pena se concentrar, no momento, na operação da companhia no porto de Itajaí e no novo processo de licitação. A JBS Terminais tem a concessão provisória há 14 meses.

“Está provado que temos capacidade de retomar [uma operação] muito rápida, de ser um terminal com crescimento exponencial, de estar performando em 93% do nosso compromisso. É um terminal com dez linhas de navegação, o que não acontecia, muito provavelmente, desde os anos 2012 ou 2013 em Itajaí”, diz Russi Jr.

Ele é ex-diretor da APM Terminais, braço de contêineres da dinamarquesa Maersk, antiga concessionária de Itajaí. Portêineres utilizados no porto são herança da operação da APM. Tratam-se de guindastes usados para carregar e descarregar carga dos navios.

A palavra “compromisso” significa atingir a meta contratual de 44 mil TEUs por mês. Cada TEU representa um contêiner de 20 pés. A movimentação atual, segundo a empresa, está em cerca de 41 mil.

O porto ficou um ano e meio sem atividades a partir do final da concessão para a APM. Enfrentou um turbulento processo de leilão, em que os dois primeiros colocados foram eliminados. Mas a segunda, Mada Araújo, entrou na Justiça e ganhou. Passou a ser concessionária, mas não movimentou cargas e repassou, com a autorização da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), os direitos para a JBS Terminais.

“O desafio foi no início, de restabelecer a confiança do mercado. O terminal parado, com contrato transitório de dois anos e o mercado preocupado. Nós provamos que somos capazes de responder a isso de uma forma muito rápida e eficiente”, completa.

Ele afirma que foram investidos cerca de R$ 150 milhões para retomar a operação do porto. A folha de pagamento dos quase 600 funcionários, entre efetivos e avulsos, está em R$ 50 milhões por ano. A JBS Terminais é a maior arrecadadora de ISS (Imposto Sobre Serviços) do município, com R$ 7 milhões.

Apesar de dizer que espera concorrência no novo leilão em Itajaí, a JBS Terminais é a favorita para ter a operação do ativo de forma definitiva. O histórico de certames portuários no Brasil é de pouca concorrência e mais da metade, desde 2016, aconteceu com oferta de apenas uma empresa.

O TCU (Tribunal de Contas da União) recebeu uma denúncia anônima no ano passado. Um dos questionamentos era a Mada ter ficado com a operação apesar de ter apresentado uma proposta de movimentação que seria irrealizável. O mesmo número que a JBS projeta atingir só em 2026. E não teria pago multas previstas em contrato por não ter atingido número mínimo de contêineres.

A empresa contesta os termos da denúncia. Afirma atuar em total conformidade com suas obrigações contratuais e que o assunto já havia sido examinado anteriormente pelo TCU. Ela diz também não estar inadimplente e que a anexação aconteceu de forma regular.

“Se nós formos olhar, nós já estamos 11% acima do momento melhor de 2022, quando parou. Então, a gente já tá acima do que se fazia. De fato, o mais difícil já passou”, afirma Russi Jr.

Há problemas a serem resolvidos. Um dos principais é o calado do canal do porto, que tem média de 13 metros. Isso o torna incapaz de receber navios de maior porte, que necessitam de mais de 16 metros de profundidade. Dentro da política de privatizações do governo federal, também deve ser feito o leilão de concessão do canal.

Por causa das limitações de calado, de dragagem deficiente e do pouco espaço, navios precisam girar antes de entrarem no canal e atracarem a ré, invertendo o sistema de propulsão.

Também existem queixas quanto ao acesso. As rodovias BR-101 e BR-470 estão, nas palavras de executivos do setor, à beira do colapso.

“A 101 está estrangulada há bastante tempo. A gente tem dialogado bastante [com o governo catarinense], tentando encontrar soluções. Nos preocupa a acessibilidade porque você não tem uma acessibilidade rodoviária adequada, o que impacta a performance do terminal”, finaliza o CEO.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/01/24/jbs-terminais-se-prepara-para-concessao-definitiva-do-porto-de-itajai.ghtml