Executivos são indicados para o alto escalão da Petrobras

O governo optou por uma solução “interna” para equacionar o impasse em torno da sucessão no alto escalão da Petrobras. Cerca de 48 horas após as renúncias de Adriano Pires e Rodolfo Landim, o Ministério de Minas e Energia confirmou as indicações de José Mauro Coelho para comandar a petroleira, em substituição ao general Joaquim Silva e Luna, e de Márcio Weber para presidir o Conselho de Administração, no lugar do almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira.
José Mauro Coelho é ex-secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME e, no momento, preside o Conselho de Administração da Pré-Sal Petróleo (PPSA). Já Márcio Weber atua como membro do Conselho de Administração da Petrobras. Os nomes dos dois executivos foram anunciados na noite de quarta-feira (6/4), após especulações em torno de uma lista gigantesca de executivos.
A indicação de José Mauro Coelho pegou o mercado de surpresa. Embora atue na área, o nome do executivo não chegou a ser cotado na bolsa de apostas. Já o de Márcio Weber começou a ganhar força na terça-feira, quando os primeiros rumores sugeriam a possibilidade de o executivo ser indicado para assumir a Presidência da petroleira e não à posição de presidente do Conselho de Admnistração.
José Mauro Coelho comandou a Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME no período de abril de 2020 a outubro de 2021, quando deixou a pasta. Os rumores eram de que o executivo cumpriria quarentena para assumir um cargo na iniciativa privada.
A indicação dos dois nomes foi costurada pelo Ministério de Minas e Energia, diretamente pelo ministro Bento Albuquerque e o presidente Jair Bolsonaro, tendo por foco reduzir qualquer nova possibilidade de entrave junto aos procedimentos de Compliance da Petrobras. Ambos têm ligação com militares e são oriundos do setor. José Mauro foi oficial de artilharia, enquanto Marcio Weber vem de família de militares.
O convite a José Mauro Coelho foi formalizado diretamente pelo almirante Bento Albuquerque na própria quarta-feira (6/4). O governo teve dificuldade de encontrar um nome para ocupar a Presidência da Petrobras que fosse bem recebido pelo mercado e pudesse ser aprovado pela área de Compliance da petroleira.
José Mauro Coelho não era a primeira opção do governo e seu nome não foi cogitado nas primeiras horas da crise, iniciada na tarde da segunda-feira (4/4), antes mesmo do pedido de renúncia de Adriano Pires se tornar público. Antes de bater o martelo em relação ao nome do ex-secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Bento Albuquerque convidou, sem sucesso, outros executivos do setor.
Formado em química industrial, José Mauro Coelho possui mestrado em Engenharia dos Materiais e doutorado em Planejamento Energético, pela UFRJ. Atuou como superintendente e diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), entre 2002 e 2020, tendo passado pelos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Trabalhando no governo, José Mauro Coelho participou de diferentes discussões relacionadas a marcos regulatórios do setor. A lista incluiu a mudança do regime de exploração, com a adoção do modelo de partilha de produção, o novo mercado de gás e o programa Abastece Brasil, ligado ao segmento de combustíveis.
Se aprovado, José Mauro Coelho será o 40º presidente da Petrobras em 68 anos e o terceiro do governo de Jair Bolsonaro.
Os nomes de José Mauro Coelho e Márcio Weber serão encaminhados à área de Governança & Compliance da Petrobras para elaboração de BCI (background checks). Cumprida essa etapa, o Comitê de Pessoas da petroleira, comandado pelo conselheiro Ruy Flaks Schneider, fará a análise da documentação para apresentar a recomendação das indicações à Assembleia Geral Ordinária, agendada para o dia 13 de abril. As indicações dos executivos serão submetidas à aprovação dos acionistas da petroleira durante à AGO.
A indicação dos dois executivos fortalece o Ministério de Minas e Energia. Na prática, o MME mantém a indicação dos dois principais postos do alto escalão da petroleira.
Fontes ouvidas pela PetróleoHoje acreditam que a atual diretoria da Petrobras deverá ser mantida sem alteração ou pelo menos preservada na sua maioria, como forma de evitar maiores impactos após a crise desencadeada pela substituição de Silva e Luna.
Bastidores
No que diz respeito a Márcio Weber, segundo apuração do PetróleoHoje, o convite ao executivo teria sido feito na tarde da quarta-feira (6/4), por José Roberto Bueno Júnior, chefe de gabinete do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Fontes revelaram que os dois executivos tiveram um encontro rápido no escritório do MME, no Rio de Janeiro, onde o convite foi feito e aceito.
O nome de Márcio Weber começou a ganhar força na terça-feira, mas até então toda a movimentação se mantinha restrita ao alto escalão de Brasília, às bolsas de apostas e aos rumores de mercado, sem que qualquer contato ou sondagem prévia fossem feitos. A indicação de Márcio Weber foi costurada e apoiada pelo Ministério de Minas e Energia.
Ex-funcionário de carreira da Petrobras, Márcio Weber integra o Conselho de Administração da petroleira desde abril de 2021, quando Roberto Castello Branco foi substituído por Joaquim Silva e Luna e o governo nomeou outros conselheiros junto com o executivo.
Formado em engenharia civil, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com especialização em engenharia de petróleo, Márcio Weber trabalhou por 16 anos na Petrobras, atuando no segmento de E&P, no Brasil e no exterior. Foi diretor da Petroserv de 2007 a 2020.
Indicação de conselheiros
Além de José Mauro Coelho e Márcio Weber, o governo apresentou nova lista de indicados ao Conselho de Administração. A nova relação traz de volta o nome de Murilo Marroquim, excluído da lista divulgada no dia 28 de março, quando foi anunciada a indicação de Adriano Pires para o cargo de presidente da petroleira e incluído o nome de Eduardo Karrer.
A nova relação de candidatos do acionista majoritário inclui os nomes de Márcio Weber, José Mauro Coelho, Sonia Julia, Sulzbeck Villalobos, Ruy Flaks Schneider, Carlos Eduardo Lessa Brandão, Luiz Henrique Caroli, Murilo Marroquim e Eduardo Karrer. A escolha de Karrer teria sido, segundo fontes, apoiada por Rodolfo Landim.
Do lado dos minoritários e preferencialistas, foram indicados os seguintes nomes: Marcelo Mesquita de Siqueira Filho, José João Abdalla Filho, Marcelo Gasparino da Silva, Ana Marta Horta Veloso, Daniel Alves Ferreira, Rodrigo de Mesquita Pereira e Francisco Petros Oliveira Lima Papathanasiadis.
Hoje, o governo detém sete conselheiros – Eduardo Bacellar Leal Ferreira, Joaquim da Silva e Luna, Márcio Andrade Weber, Sonia Julia Sulzbeck Villalobos, Cynthia Santana Silveira, Murilo Marroquim e Ruy Flaks Schneider -, ante os três minoritários – Marcelo Mesquita de Siqueira Filho, Marcelo Gasparino da Silva e Rodrigo de Mesquita Pereira (ações preferenciais) – além de Rosangela Buzanelli Torres, representante dos funcionários, recém-eleita para cumprir novo mandato.
A AGO da Petrobras promete ser conturbada e longa, sobretudo após a crise disparada pelo governo por conta da política de preços dos combustíveis da companhia. A disputa pelo maior número de assentos do Conselho de Administração será, sem dúvida, grande.
Convites e rumores
A corrida do governo para preencher os dois maiores cargos da Petrobras e corrigir seu erro a tempo da realização da AGO fez surgir inúmeras especulações sobre possíveis convidados. A lista de apostas contemplava desde atuais diretores e conselheiros da petroleira a diversos executivos do setor, sendo que poucos nomes chegaram a ser efetivamente sondados pelo governo.
O ex-diretor da ANP e atual presidente da Enauta, Décio Oddone, foi convidado por Bento Albuquerque logo no início da crise, mas recusou o convite.
O ministro, segundo fontes, montou uma espécie de centro de crise no escritório do MME , no CPRM, no Rio de Janeiro, na segunda-feira (4/4), onde esteve reunido com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes.
Fonte: Brasil Energia