A última semana no setor naval começou com a notícia de que a Justiça julgou improcedente o pedido de abertura de matrícula de um terreno de pouco mais de 16,7 mil metros quadrados, situado na Ponta da Areia, requerido pela União.
A área federal, hoje ocupada pela Comunidade da Prainha, pelo Grupamento Aéreo e Marítimo (GAM) da Polícia Militar, entre outras empresas, como a Nit Sea, e o estaleiro Enavi, foi cedida ao Governo do Estado do Rio de Janeiro por um perãodo de vinte anos, o qual já expirou segundo esta última esfera de Governo. A decisão judicial, em 1ª instância, torna, desse modo, inviável a oficialização de nova cessão de uso do terreno ao governo do Estado, que destinaria a área à ampliação do estaleiro Mac Laren Oil, com a justificativa de que este tornaria produtiva a faixa da orla correspondente.
Visando a ampliação do Mac Laren Oil, famílias da Comunidade da Prainha, que ocupam parte do terreno, chegaram a ser, inclusive, indenizadas para deixarem o local. A maioria já se mudou. Cada família recebeu entre R$ 15 e R$ 35 mil pelo seu imóvel, de acordo com avaliação feita pelo Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (Iterj). “A decisão é positiva para todos os estaleiros de Niterói porque a pretensão do governo do Estado era firmar parceria apenas com o Mac Laren Oil, visto que a única maneira deste estaleiro progredir é ampliar sua área. Pequena, ela o impede de fazer grandes obras de plataformas. Porém, sabemos que o Mac Laren não teria condições de realocar toda a mão-de-obra que atua na área, o que prejudicaria a todos”, disse Marcelo Cardoso, do Departamento Jurídico do Estaleiro Cassinú. A Mac Laren Oil preferiu não se pronunciar a respeito do assunto.
Na quarta-feira, dia 09, a WTorre anunciou a venda do Estaleiro Rio Grande para a Cevix, empresa recém-criada que é uma parceria da Engevix Engenharia e da Funcef, fundo de pensão dos empregados da Caixa Econômica Federal (CEF). O estaleiro, que está prestes a ser inaugurado, foi vendido por R$ 410 milhões. No comunicado divulgado na terça (8), a empresa informou que o negócio ainda seria submetido à aprovação dos órgãos nacionais de defesa da concorrência. A aquisição feita pela Engevix integra uma série de investimentos que a empresa vem fazendo no Rio Grande do Sul. Em abril deste ano, a companhia assinou uma carta de intenções com a Petrobras para a construção de oito cascos de plataformas em território gaúcho.
O projeto, anunciado em 2008 pelo presidente da estatal e batizado de fábrica de cascos, demandará um investimento de US$ 3,75 bilhões. A própria WTorre teria disputado esse contrato. Os cascos serão produzidos no estaleiro, na área arrendada pela Petrobras por dez anos. Parte do investimento necessário para a construção do estaleiro veio da estatal, em troca do arrendamento. Outros 21% partiram da WTorre. A Engevix também disputará uma nova licitação da Petrobras para a construção de sete navios sonda, com investimento estimado em US$ 6,3 bilhões, numa clara intenção da empresa de concentrar suas operações em Rio Grande.
Estaleiro Ishibrás
Quase fechando a semana, o jornal Valor Econômico divulgou que a novela envolvendo o aluguel da área do antigo estaleiro Ishibrás, no Rio de Janeiro, pela Petrobras, pode ter chegado ao final. Fontes próximas ao negócio disseram que a diretoria da estatal aprovou o arrendamento de parte do terreno do estaleiro em contrato de longo prazo. Hoje, segundo as fontes, a Petrobras poderia fazer um comunicado formal ao mercado sobre o negócio. Procurada, a Petrobras disse, via assessoria, que não se pronunciaria sobre o assunto. Segundo pessoas envolvidas no negócio, os termos do arrendamento são os mesmos que vinham sendo discutidos desde 2009. A Petrobras vai arrendar 320 mil m2 – de um total de 420 mil m2 – por 20 anos. O pagamento será de cerca de R$ 4 milhões por mês.