A direção da Karoon já está a procura de um novo sócio para substituir a Woodside, que desistiu de prosseguir na aquisição dos ativos de Baúna e Tartaruga Verde, localizados nas bacias de Santos e de Campos, respectivamente. A nova estratégia foi confirmada por fontes da petroleira. O plano é prosseguir na disputa pelos ativos ainda que através de um processo público totalmente novo, tendo em vista a recente decisão da Petrobras de cancelar a atual licitação, sob judice desde o ano passado.
A Woodside desistiu de prosseguir no negócio em fevereiro, quando comunicou sua saída à Petrobras e à Karoon através de carta. No documento enviado à petroleira brasileira, a companhia australiana informou que não integrava o consórcio da Karoon. A carta, assinada por Lawrie Tremaine, CFO da Woodise, é datada de 15 de fevereiro e endereçada ao diretor Financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, e gerente-executiva de Aquisições e Desinvestimentos, Anelise Quintão.
O consórcio Karoon-Woodside apresentou o melhor preço na licitação de venda dos dois campos, em outubro, com uma proposta de cerca de US$ 1,5 bilhão, que envolvia a aquisição integral de Baúna e 50% de participação em Tartaruga Verde, campo que continuaria a ser operado pela Petrobras. As petroleiras australianas não chegaram a fixar seus percentuais de participação nas áreas, embora houvesse consenso de que a parcela da Karoon em Baúna seria maior, enquanto a Woodside teria participação maior em Tartaruga Verde.
Na ocasião, a proposta desbancou a oferta da PetroAtlântico, que previa também a aquisição de Golfinho, campo localizado na Bacia do Espírito Santo, que acabou sendo retirado da licitação poucos dias antes da conclusão das negociações. A Karoon e a Woodside iniciaram a etapa de due dilligence, mas o trabalho foi logo paralisado, em novembro, em função da liminar concedida pela juíza Telma Maria Santos Machado, da 1ª Vara Federal de Aracaju, ao sindicato dos petroleiros de Alagoas e Sergipe, Sindipetro AL/SE, suspendo o processo de venda dos dois ativos da Petrobras.
Presidente da Petrobras, Pedro Parente, tem garantido para investidores as metas de desinvestimentos da empresa ( Agência Petrobras/ Stéferson Faria )
Nova licitação
A Petrobras planeja manter a venda dos dois campos, abrindo uma nova licitação, de acordo com as exigências requeridas pelo TCU. Para isso, é preciso primeiro que a Justiça suspenda em primeira instância o efeito da liminar da Justiça de Sergipe. Seguindo a decisão do TCU, a nova licitação terá que ser pública e toda a sistemática precisará ser reformulada.
No mercado, a aposta é que a retomada da venda desses ativos não ocorra antes do início do quarto trimestre. A avaliação é de as novas regras impõem praticamente o inicio de um novo projeto. A percepção é de que venda de Baúna e Tartaruga acontecerá sob um novo cenário e que isso deve influenciar o preço dos ativos. A avaliação de preço das empresas tende a considerar não só o risco de novas ações judiciais, como também os novos indicadores de produção dos projetos.
Visto como um ativo de economicidade apertada, Baúna tem registrado forte queda de produção nos últimos meses e promete demandar novos investimentos de intervenção em poços e em pelo menos três bombas submarinas (BCS). Quando as empresas começaram a trabalhar na elaboração das propostas, a produção do campo era de cerca de 48 mil b/d de óleo. Dados da ANP de janeiro indicam que a atual produção na área está na casa dos 30,3 mil b/d. De lá para cá, alguns poços tiveram sua operação interrompida.
Em apresentações recentes, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, não fala em prazos, mas confirma o compromisso de assegurar US$ 21 bilhões com a venda de ativos até o fim de 2018.
A Brasil Energia Petróleo tentou contato com a Woodside, mas não conseguiu até o fechamento desta reportagem.