Em entrevista, diretor-geral da companhia, Tim
Hosking, detalha planos para Baúna, Neon e Goiá e confirma intenção de ampliar presença no país
Quase três anos depois da liminar que suspendeu a compra do campo de Baúna pela Karoon, a petroleira australiana conseguiu, finalmente, adquirir seu primeiro ativo de produção no mundo.
Em entrevista ao Petróleohoje, o diretor-geral da companhia na América Latina, Tim Hosking, conta que espera ampliar em mais de 50% a produção na área e confirma a intenção de incrementar o portfólio no país. “Nosso foco hoje são as bacias de Campos, Santos e Espírito Santo”, diz.
O executivo revela ainda que a companhia entregará o plano de desenvolvimento de Neon e Goiá em agosto à ANP. “A previsão, hoje, é que o primeiro óleo será produzido em 2023”, antecipa.
Interesse em Baúna
Adquirimos as primeiras concessões no país em 2008 [S-M-1037, S-M-1101, S-M-1102, S-M-1165, S-M-1166], localizadas a cerca de 50 km ao nordeste de Baúna. Fizemos duas descobertas nesses blocos: Echidna e Kangaroo. Depois pegamos S-M-1537 na rodada 14. Então, do ponto de vista exploratório, temos ótimo entendimento daquela parte da bacia. Como Baúna é um campo em produção e está justamente no meio, havia grande interesse porque tem grandes sinergias com nossas áreas exploratórias no país.
Judicialização
Não vemos risco de isso acontecer novamente pois as regras foram bem definidas pelo TCU [Tribunal de Contas da União] e outras transações já aconteceram. No mais, a Karoon tem sido um forte player na exploração de petróleo no Brasil por dez anos, com uma equipe brasileira robusta e boa reputação. Portanto, acho que tudo correrá bem.
Brasil em destaque
Baúna será nosso primeiro óleo produzido no mundo. O Brasil tem sido uma região central para a companhia há anos e assim continua. Há muitas oportunidades com as rodadas da ANP e os desinvestimentos da Petrobras. Já temos uma ótima equipe aqui, que está tocando o plano de desenvolvimento de Echidna (Neon e Goia) e vamos expandir o grupo para nos tornarmos uma operadora produtora.
Planos para o campo
O FPSO de Baúna está afretada à Teekay e seu serviço, com a Ocyan, e isso ficará assim. Vamos negociar um contrato. O plano, quando nos tornarmos operadores – o que acredito que acontecerá em nove meses –, fazer um trabalho de intervenção para substituir os sistemas submarinos de produção para aumentar os volumes extraídos. A Petrobras tem uma descoberta a 3 km do FPSO, chamada Patola, e nós gostaríamos de colocar um poço de produção na área. Com isso, esperamos alcançar a marca de 33 mil b/d em 2022 [atualmente, o volume extraído no campo é da ordem de 20 mil b/d]. Hoje, estimamos que o campo teria mais sete anos de vida, mas esperamos estendê-la para pelo menos dez anos.
Olhos para o Sudeste
Nosso foco hoje são as bacias de Campos, Santos e Espírito Santo. Acreditamos que a Petrobras desinvestirá mais áreas na região, e estamos também olhando com atenção para a 16ª rodada e leilões seguintes da ANP. Temos que preparar a companhia para assumir a operação de Baúna, mas ainda temos um olho aberto para ampliar nossa presença no Brasil via aquisições. A oferta permanente, por exemplo, é um ótimo sistema, que permite a companhias como a Karoon avaliar novas áreas para incrementar seu portfólio e utilizar uma infraestrutura de que não dispomos e desenvolve uma estratégia ao longo do tempo.
Neon e Goiá
Nosso plano é entregar o plano de desenvolvimento dos campos em agosto. A previsão é perfurar dois poços horizontais e um de injeção de gás, e nossa intenção é utilizar um FPSO existente com capacidade para produzir cerca de 30 mil b/d. Abrimos o data-room desses ativos no final do primeiro trimestre e tivemos diversas companhias interessadas. Ainda temos duas ou três mais para avaliar os dados, e a expectativa é começar a receber propostas no final deste ano. E há discussões com prestadoras de serviços. Estamos buscando formas de postergar pagamentos até o primeiro óleo para gerenciar o fluxo de caixa, como tem sido feito em projetos no exterior e mesmo no Brasil.
Novo poço
Pretendemos perfurar um poço de controle em Neon. Uma das razões é que temos poços horizontais muito longos, portanto, se perfurarmos um poço no final, poderemos otimizar a localização do poço horizontal. Isso será feito quando o plano de desenvolvimento fora aprovado pela ANP, o que deve acontecer entre o final deste ano e o início de 2020. Estamos tentando antecipar o cronograma, mas a previsão, hoje, é que o primeiro óleo será produzido em 2023 [a previsão inicial era 2021]. O gás produzido será reinjetado e usado para abastecer a plataforma. Na segunda fase, basicamente drenaremos o que os dois poços horizontais deixaram de extrair. Na terceira, focaremos o Mastrichiano [divisão temporal geológica], e, na quarta, conectar Kangaroo, que está em Goia, ao sistema de produção.
Vendas
Idealmente, gostaríamos de fazer parcerias com grandes IOCs, como Shell, Petrochina, Total, que têm capacidade para vender petróleo de outras companhias. Não temos, por ora, o objetivo de nos transformarmos em uma empresa integrada.
Abertura do downstream
Há uma forte mensagem do governo de que o Brasil quer atrair investimentos estrangeiros e novos players para o setor, do upstream ao downstream. E essas medidas [de abertura, como o Novo Mercado de Gás] vão acelerar esse processo.
Fonte: Revista Brasil Energia