Petroleira australiana negocia ingresso em Peregrino e avança nas discussões de farm-in em Santos
Depois de um longo período de negociações, a Karoon está mais perto de fechar com o consórcio Schlumberger/Bumi Armada operação casada de farm-in e desenvolvimento dos campos de Goiá, Goiá Sul, Neon e Neon Sul, na Bacia de Santos. O grupo australiano poderá anunciar também a aquisição de 40% da participação da Sinochem no campo de Peregrino, na Bacia de Campos, o que, se confirmado, será a primeira produção da companhia no mundo.
A petroleira australiana não quis comentar o assunto. No que diz respeito ao processo dos campos de Santos, a Karoon aguarda para agosto um posicionamento do consórcio Bumi Armada/ Schlumberger em relação à sua contraproposta apresentada recentemente.
A petroleira recebeu as propostas dos consórcios Bumi Armada/ Schlumberger e BW Offshore/ GE em abril e depois de avaliar as duas ofertas manteve apenas o primeiro grupo nas negociações, fazendo uma contraproposta mais modesta. Costurada sob um modelo de negócio inédito no Brasil, a operação envolverá não só participação no ativo como também o desenvolvimento do projeto de produção, garantindo toda parte subsea e o FPSO. O valor da transação é mantido em sigilo e a parcela de participação em negociação varia de 30% a 50%.
Segundo apurado, a maior parte dos ajustes e considerações feitos Karoon em sua contraproposta é relativa à parte da Bumi Armada. Praticamente não houve ajustes em relação ao trabalho da Schlumberger. O consórcio apresenta sua posição final no início de agosto.
Embora prevaleça o otimismo em relação ao sucesso das negociações, caso os dois grupos não consigam chegar a um acordo final a Karoon voltará ao mercado para licitar a contratação dos equipamentos e serviços necessários ao desenvolvimento dos campos de Santos no modelo tradicional, sem participação no ativo.
Orçado em US$ 350 milhões, o projeto de Goiá, Goiá Sul, Neon e Neon Sul tem entrada em operação prevista para 2020-2021. O FPSO terá capacidade para produzir 40 mil barris/dia de óleo, sendo que o pico de produção do sistema será de 28 mil barris/dia de óleo. A proposta preliminar é de que a unidade seja interligada a três poços (dois horizontais de produção e um de injeção de gás).
Pé em Peregrino
A compra da fatia da Sinochem em Peregrino vem sendo discutida desde o ano passado com a petroleira chinesa, após um road-show internacional. Toda a operação está sendo conduzida diretamente pelos boards da Karoon, na Austrália, e da Sinochem, na China, com o apoio técnico-operacional dos escritórios das duas petroleiras no Brasil.
Localizado na parte Sul da Bacia de Campos, o campo de Peregrino possui óleo e é operado pela Equinor, que por força do contrato terá opção de exercer o direito de preferência. A aquisição de 40% do ativo, se confirmada, garantirá uma produção imediata de cerca de 25 mil boe/dia para a Karoon. Além do volume atual, o projeto tem em curso um desenvolvimento complementar, batizado de fase II, previsto para ser colocada em operação em 2020.
Além de pagar pela aquisição do ativo à Sinochem, a Karoon terá que dividir os investimentos necessários à implantação da fase II, orçada em US$ 2,5 bilhões. Entre especialistas, as projeções são de que Peregrino tenha capacidade para produzir por ainda por algumas décadas.
O sistema de produção de Peregrino possui duas jaquetas fixas e um FPSO. A fase II prevê a instalação de uma terceira unidade fixa. A Equinor já contratou a maior parte dos equipamentos e serviços para a nova etapa, restando ainda a licitação de instalação e comissionamento da jaqueta.
A busca da Karoon por um ativo de produção no Brasil é antiga. No ano passado, a petroleira chegou perto de adquirir o campo de Baúna na primeira etapa do plano de desinvestimento da Petrobras, suspensa por determinação do TCU.
A decisão da Sinochem de deixar o projeto de Peregrino integra uma estratégia mundial da companhia de rever sua posição do segmento de E&P, voltando a se concentrar apenas no setor petroquímico. Com a mudança de rumo, a companhia chinesa deve fechar seu escritório no Brasil.
Fonte: Revista Brasil Energia