Estão na reta final as negociações entre a Kepler Weber e o BNDES sobre o direito do banco em converter bônus em ações da companhia, maior fabricante de silos para armazenagem de grãos e de equipamentos para movimentação de granéis do país.
Segundo apurou o Valor com fontes a par das negociações, os entendimentos evoluíram bem nos últimos meses e o acordo deve ser concluído até o fim de junho.
Os bônus em poder do BNDES são oriundos da emissão de R$ 150 milhões em debêntures feita pela empresa em 2007. O banco subscreveu a totalidade das debêntures, porém exigiu bônus atrelados aos papéis, o que lhe garantiria no futuro direito de convertê-los em ações por um determinado valor.
Todavia, ocorreu uma dupla interpretação sobre o valor da ação a ser convertida, criando um clima de divergência entre os dois lados. Na avaliação do banco, deveria ser a R$ 16,00; pelo lado da empresa, a R$ 26,00. Com essa indefinição, a parcela do BNDES no capital da empresa variava de 12% a 17%.
A Kepler Weber é controlada por Previ (17,5%), fundo BBI (também 17,5%), o empresário Fernando Francisco Brochado Heller (12%), o Banco Clássico (10%) e um fundo do Sul América (5%). O restante está pulverizado no mercado.
Conforme apurou o Valor, no modelo em fase final de negociação, a participação societária do banco deverá ficar no intervalo entre 10% e 15%. Algo próximo de 12%, de acordo com a fonte. Essa questão, conforme relatou, já está pacificada. No momento, há uma série de documentos do acordo sendo analisados pela diretoria técnica do BNDES.
Além desse ponto, a empresa negociou também com o banco todos direitos de subscrição dos bônus, entre os quais uma nova data para exercer o direito de conversão. O BNDES, pelas regras acertadas em 2007, já poderia ter exercido a opção. Os bônus têm prazo até 2018.
Fechado o acordo, a empresa terá de fazer uma convocação de assembleia extraordinária de acionistas para obter sua aprovação. São necessários votos de representantes de 50% mais uma ação da empresa.
Atualmente, segundo o balanço da empresa, a Kepler Weber deve pouco mais de R$ 40 milhões dessas debêntures ao banco. Na época, subscritas pelo banco com correção anual de TJLP mais 3,8%.
Procurado, o BNDES informou por meio da assessoria de imprensa que não ia comentar o assunto por ser a Kepler uma empresa de capital aberto. A companhia também não quis comentar as informações.