
O Keppel Shipyard apresentou os menores preços na licitação da Petrobras para construção da P-80 e da P-82, unidades que irão compor o 9º e o 10 módulo de Búzios, e que prevê a possibilidade de contratação também da P-83. O grupo estrangeiro ofertou propostas de US$ 2.983.398 bilhões para os lotes A e B, saindo na frente do Sembcorp Marine Rig & Floaters, que cotou US$ 3.660.780 bilhões para o primeiro pacote e US$ 3.735.240 bilhões para o segundo lote.
Os preços apresentados pelos dois grupos foram considerados altos, como já era esperado. As propostas refletem o aquecimento do mercado registrado no final de 2021 e todo o impacto da guerra entre a Rússia e a Ucrânia sobre o mercado fornecedor de petróleo, que vem causando alta dos preços, volatilidade e incertezas.

A Petrobras mantém sigilo sobre a sua expectativa de preço para as unidades, que terão capacidade para produzir 225 mil bpd de óleo e 12 milhões de m³/dia de gás. A proposta do Keppel Shipyard ficou aproximadamente 26% acima do preço assegurado pela petroleira para a construção da P-78 e P-79, unidades com capacidade para produzir 180 mil barris/dia e compressão de 7,2 milhões de m³/dia de gás, contratados sob o regime de EPC (Engineering, Procurement and Construction) em maio e junho, respectivamente.
Independente do orçamento interno, a Petrobras deve convocar as empresas para fazer pelo menos uma rodada de negociação a fim de tentar reduzir o valor das propostas. Diante do patamar de preços apresentados, prevalece a incerteza se a petroleira irá ou não contratar as unidades.

Não há confirmação, até o momento, se o Keppel Shipyard formalizou a intenção de construir duas unidades, mantendo interesse também pela P-82, caso tivesse melhor preço para o P-80. Pelas regras do edital, os epecistas teriam que indicar, na proposta apresentada para a lote A, se tinham interesse na segunda unidade de Búzios, cujo preço seria fixado em 92,6% do valor da oferta apresentada para o primeiro FPSO.
O Lote A do bid é direcionado à P-80, enquanto o lote B é destinado à P-82, prevendo também a possibilidade de contratação de uma terceira unidade para o projeto.
Caso o Keppel Shipyard não tenha indicado interesse pela segunda unidade, a Petrobras poderá acionar o Sembcorp na licitação para garantir a contratação da P-82. Nessa situação hipotética, a tendência é que a comissão de licitação tente assegurar renegociação de preço, visando garantir valor próximo ao do primeiro colocado. No caso da P-83, a opção de compra, recairia sob a proposta do Sembcorp.
O processo de negociação pode esbarrar na grande diferença de valor entre as propostas do Keppel Shipyard e do Sembcorp Marine Rig & Floaters. Ainda que os dois grupos estrangeiros estejam negociando uma operação de merger e já tenha assinado um acordo voltado à operação, as duas propostas mantêm diferença de US$ 677.382 milhões, no Lote A, e US$ 751.842 milhões, no Lote B.
Até antes do início do conflito, a estimativa do setor era de que a construção de cada uma das unidades de produção exigisse investimentos da ordem de US$ 2,5 bilhões. Já era esperado que apenas os estaleiros Keppel Shipyard e Sembcorp Marine Rig & Floaters apresentassem proposta na licitação.
A participação de apenas dois proponentes reforça o baixo interesse do mercado nas licitações da Petrobras para construção de FPSOs. Daewoo, Brasfels, Hyundai e SBM declinaram oficialmente de participar do bid.
As propostas da licitação foram recebidas na segunda-feira (30/5). A P-80 e a P-82 têm entrada em operação prevista para 2026, enquanto o primeiro óleo da P-83 é estimado para 2027.
Recentemente, a Petrobras cancelou a licitação para contratação do FPSO de Sergipe Águas Profundas, regida sob o modelo de BOT (Build Operate Transfer), após receber uma única proposta, enviada pela Ocyan. Além do preço ter ficado acima do orçamento da petroleira – o preço total girou pouco abaixo de US$ 4 bilhões, valor que incluía a construção e a etapa do serviço de operação da unidade pelo prazo de quatro anos -, a oferta trazia condicionantes relacionadas ao cenário de guerra.
Fonte: Revista Brasil Energia