O diretor-presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), Almirante Francisco Laranjeira, avaliou, durante lançamento do Brasil Export, nesta segunda-feira (15), que a privatização dos portos de Vitória, Santos e São Sebastião poderá impactar diretamente a companhia. Segundo ele, o processo irá alterar de forma significativa o cenário competitivo para os portos da região, com potencial de promover assimetria entre eles.
Laranjeira frisou ainda que, diante desse contexto, seja indispensável que o poder concedente esteja ciente do potencial de impacto para a CDRJ do projeto de desestatização, e que aponte ao mercado um horizonte de planejamento. Ele destacou ainda a necessidade de elevar o grau de competição dos portos públicos num quadro de concorrência com os Terminais de Uso Privado (TUPs), em especial no Rio de Janeiro. De acordo com o diretor, na região alguns TUPs vêm se mostrando muito bem sucedidos, a exemplo dos portos Sudeste e Porto do Açu.
“Sem amarras típicas da administração pública esses terminais têm mais agilidade para investir em infraestrutura e modernização de processos atraindo cada vez mais cargas”, disse Laranjeira. No entanto, ele pontuou que, se de um lado isso representa uma ameaça aos portos públicos, de outro pode ser mais um incentivo para que se persiga a maior agilidade, elevando a competitividade.
Ele citou as restrições na regulação dos portos como sendo uma das principais amarras para os portos públicos. Alguns dos exemplos da burocracia portuária são os processos de novos arrendamentos de área e as renovações dos contratos em vigor.
Apesar disso, o Almirante afirmou que a companhia vem apresentando bons resultados. Em 2020, houve um crescimento de 8,6% na movimentação de cargas, pouco maior que a média nacional Ele disse também que a CDRJ teve um salto de 30% no faturamento ano passado. No primeiro mês do ano, o aumento foi de 33% em relação ao mesmo mês de 2020, em função, sobretudo da valorização do minério de ferro no porto.
A parceria que a Autoridade Portuária firmou com arrendatários também contribuiu para esse resultado, segundo ele. Os terminais vêm realizando obras nos canais de acesso, sinalização, o que permitiu, inclusive, a navegação noturna no Porto do Rio de Janeiro.
Fonte: Revista Portos e Navios