
Divulgação MPor
Certame licitou arrendamentos em Maceió, Porto Alegre e Rio Grande reuniu projetos que somam R$ 966 milhões em investimentos previstos. Intermarítima, AC Vita Serviços de Armazenagem, Serra Morena Corretora, Unifértil e Quadra foram os arrematantes
O leilão de arrendamentos portuários terminou com os cinco lotes arrematados, gerando arrecadação de aproximadamente R$ 2,7 milhões em valores de outorga. A previsão é que sejam investidos um total da ordem de R$ 966 milhões nas áreas ao longo dos períodos de contrato. O único lote a receber mais de uma proposta no certame realizado na B3, em São Paulo, foi o MAC15, no Porto de Maceió (AL), que será destinado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos minerais, especialmente sal. O contrato de concessão desta área terá cinco anos de duração e será assumido pela Intermarítima Portos e Logística, que ofertou R$ 1 milhão em valor de outorga, vencendo a Braskem na disputa por viva-voz.
A área RIG71, localizada no porto organizado de Rio Grande (RS), é vocacionada à movimentação de granéis sólidos vegetais e terá contrato firmado de 10 anos junto à AC Vita Serviços de Armazenagem, que apresentou proposta única no valor de R$ 1 milhão no leilão de hoje.
A Serra Morena Corretora apresentou proposta única de R$ 2 mil em valor de outorga e arrematou o lote POA02, voltado para a operação de navegação interior e cabotagem por recebimento de via hidroviária. Já a área POA11, destinada à movimentação de granéis sólidos vegetais ou minerais recebeu oferta de R$ 50 mil de valor de outorga apresentada pela Unifértil — Universal de Fertilizantes. As duas áreas estão localizadas no porto de Porto Alegre (RS) e terão contratos com duração de 10 anos cada.
Leilão da APPA
A área PAR09, voltada à movimentação de granel vegetal, em especial soja, milho e farelos, arrecadou R$ 615 mil em valor de outorga em proposta única apresentada pela Q-PAR09 FIP Multiestratégia, que tem a Quadra como gestora — mesma que sai vencedora no leilão de desestatização do Porto de Vitória (ES), há cerca de um ano e meio. A PAR09 foi licitada pela APPA, autoridade portuária dos portos paranaenses, que possui autonomia para esse tipo de leilão. A previsão é que sejam investidos R$ 910 milhões pelos próximos 35 anos nesse arrendamento.
O diretor da A&M Infra, área da Alvarez & Marsal, Guilherme Gattaz, considera que os leilões organizados em 2023 foram bem-sucedidos. Ele avalia que os arrendamentos simplificados, modalidade com quatro lotes arrematados hoje, ajudaram a acelerar a oferta de áreas. Ele ponderou que o setor portuário ainda tem um caminho a trilhar. “Ainda há demandas portuárias mal atendidas, enquanto há áreas portuárias públicas disponíveis. Os modelos de arrendamentos portuários que ainda são preteridos por terminais privativos aos olhos de investidores”, comentou Gattaz à Portos e Navios.
Para Gattaz, não é incomum haver apenas um interessado em determinados leilões portuários. Ele lembrou que muitos leilões acabam tendo maior atratividade para players verticalizados. “O maior indicador de sucesso do leilão é conseguir atrair a iniciativa privada para investir em infraestrutura e, com isso, aumentar a capacidade e o nível de serviço de operações portuárias”, analisou.
Fonte: Revista Portos e Navios