O área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, será um ativo 100% conectado digitalmente. Essa é a expectativa de Sylvia dos Anjos, gerente-geral de Tecnologias Aplicadas do consórcio responsável pelo projeto (Petrobras, Shell, Total, CNOOC e CNPC).
“Vemos significativo valor nos digitalizarmos. Em Mero 2 já colocaremos mais requisitos [de tecnologias digitais]. Mero 3 e 4 serão mais completos, com maior uso de tecnologia, mais sensorização. Os próximos bids terão maior complexidade tecnológica”, ressaltou, durante painel na O>echweek, nesta segunda-feira (26/8).
De acordo com Sylvia, a digitalização será o padrão, não uma opção dentro da indústria de óleo e gás. A transformação digital reduzirá custos e irá alterar a forma de aquisição de tecnologias e serviços. Nesse campo, o projeto Libra Digital estuda a aplicação de blockchain (bases de registros e dados distribuídos e compartilhados) em diferentes etapas.
“Prevemos o uso de blockchain especialmente no processo de contratação, para tornar mais ágil e segura a gestão de aquisição. A redução de custos será relevante, com a diminuição da probabilidade de paradas, usando a preditividade”, observou.
Transformação digital em operação no país
Já a vice-presidente de Operações, Tecnologia e Excelência da Equinor, Hege Færø, destacou que funcionários da companhia já utilizam óculos de colaboração virtual remota no projeto de Peregrino, na Bacia de Campos. O equipamento permite que especialistas em terra auxiliem profissionais offshore durante as atividades, sobretudo na supervisão de estruturas.
“Nossa prioridade com os processos de transformação digital é melhorar a eficiência e tornar as atividades ainda mais seguras para as pessoas”, assinalou a executiva.
Grandes fornecedores do setor petróleo também investem na digitalização. Uma das principais fabricantes de árvores de natal molhadas no país, a Aker Solutions tem recorrido à chamada “internet das coisas” e robôs digitais em suas operações.
“A entrada de materiais e o controle de qualidade dos equipamentos são validados por robôs. Assim com a entrada de notas fiscais, antes feita por cinco pessoas, é operada por apenas um robô”, revelou Anderson Moraes, gerente de Tecnologia e Digitalização da empresa.
Segundo o executivo, a velocidade da evolução digital é algo sem precedentes. “Há dez anos não existia analytics. Até 2030, o uso de sensores digitais crescerá 700 000%. É essencial implantar o “mindtech”, afirmou.
Fonte: Revista Brasil Energia