A Petrobras não recebeu nenhuma proposta na licitação para a contratação do serviço de aquisição de 1,5 mil km² de dados sísmicos 3D, na área de partilha, e mais outros cerca de 1,5 mil km² no campo de Búzios, ambos utilizando tecnologia de nodes. A abertura dos envelopes estava marcada para o dia 6 de fevereiro, mas para surpresa do consórcio de Libra, fomado pela Petrobras, Shell, Total, CNPC e CNOOC, as empresas convidadas consideraram o projeto arriscado e pouco atrativo, optando por não apresentar oferta, mesmo em se tratando de uma das poucas licitações disponíveis no mercado neste momento.
Entre as empresas convidadas pelo consórcio estavam a PGS, CGG, Fugro, Farfield e Seabed Solutions. Na avaliação das empresas de sísmica, as condições estabelecidas pela Petrobras eram severas demais e atribuíam todo o risco do projeto à contratada.
Um dos principais riscos à atratividade do negócio está atrelado às incertezas em relação ao processo de licenciamento ambiental. As empresas alegam que diante da demora na liberação das licenças não há como ter previsibilidade sobre o fluxo de caixa.
Para as empresas de sísmica, trata-se de um projeto multicliente, onde os riscos ficam a cargo do vencedor, com características de proprietário, sem possibilidade de venda a outros clientes, já que a operação do pré-sal está a cargo apenas da Petrobras. Outra questão que também gera preocupação é a atual situação da Petrobras, o que faz com que as empresas tenham receio de eventuais adiamentos no cronograma do projeto. O custo de um projeto deste porte é alto e, segundo fontes, pode girar entorno de algumas centenas de milhões de dólares.
“O vencedor teria que arcar com todos os custos de mobilização de equipe e de barco, sem qualquer certeza do licenciamento”, pondera uma fonte, ressaltando que já há barcos parados no Brasil, aguardando a liberação do órgão ambiental.
Embora nenhuma empresa tenha apresentado proposta, a Petrobras ainda não cancelou o processo. O consócio irá reavaliar e redefinir a estratégia de contratação e o cronograma do serviço. Entre as alternativas em análise está o desdobramento da contratação do serviço em duas campanhas distintas, uma para Libra e outra para Búzios, e a não utilização da tecnologia de nodes e sim de mapeamento convencional, com cabos. Para os participantes, parte do risco do processo poderia ser diluída se a Petrobras ficasse com a responsabilidade pela obtenção da licença.
A previsão original da Petrobras era de que a coleta fosse iniciada no terceiro trimestre. Essa foi a primeira vez, pelo menos na última década, que uma licitação de sísmica offshore da Petrobras não desperta o interesse de nenhuma empresa.