Petrobras deve usar os primeiros seis meses do ano para colocar nos trilhos concorrências com problemas de performance.
A Petrobras pretende trabalhar todo o primeiro semestre de 2015 para recolocar seus projetos no trilhos e vai dedicar o perãodo para suprir contratos de grande porte rescindidos no fim do ano passado com empresas que enfrentam problemas financeiros e de má performance. Somente após essa correção de rota, a empresa pretende abrir novas licitações, como a dos FPSOs que terão primeiro óleo a partir de 2018.
A estratégia pretende assegurar que os contratos firmados com empresas que passam por situações delicadas ou estejam envolvidas na operação Lava Jato não sejam paralisados ou tenham seus ritmos reduzidos. A medida faz parte da tentativa da Petrobras de arrumar a casa, antes de ir ao mercado para efetuar novas contratações.
Além da concorrência internacional aberta no início de janeiro para construção dos módulos de compressão para seis dos oito FPSOs replicantes do cluster da Bacia de Santos, originalmente contratada com a Iesa e cancelada em novembro, a petroleira lançará apenas outras duas licitações internacionais: uma destinada à construção das unidades de abatimento de emissões atmosféricas (SNOx) da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), com foco na substituição do recém cancelado contrato com o consórcio EBE-Alusa, e outra para a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), em Três Lagoas (MS), empreendimento que até dezembro estava sendo tocado pelo consórcio Galvão Engenharia/Sinopec.
Preocupada em não ampliar ainda mais o atraso desses empreendimentos, a petroleira corre contra o tempo para tentar lançar as duas novas licitações ainda no primeiro trimestre de 2015. As duas concorrências ficarão a cargo da área de Engenharia, que já vem trabalhando no detalhamento dos editais e no mapeamento do status de cada uma das obras.
Desde o fim do ano, a petroleira enfrenta problemas em vários contratos de grande porte firmados com empresas envolvidas na operação Lava Jato. Na avaliação da direção da estatal, o importante nesse momento é garantir que as grandes obras já contratadas não sejam descontinuadas e que os contratos sigam um andamento normal.
“Nosso balanço ainda está sendo auditado e a indústria de um modo geral está sem acesso ao mercado de capitais. É preciso garantir que tudo que já foi contratado continue andando, sem maiores ônus à Petrobras”, justifica o executivo da petroleira.
Entre as principais preocupações da Petrobras estão os contratos de construção dos cascos dos oito FPSOs replicantes, a cargo da Ecovix; de fabricação e montagem de oito módulos de produção da P-67 e P-70, contratados ao consórcio Integra (Mendes Júnior/ OSX); e mais os cascos da cessão onerosa, sob o comando do estaleiro Enseada Indústria Naval.
Considerada essencial ao funcionamento em plena carga da Refinaria Abreu e Lima, a obra de construção da SNOx conta hoje com cerca de 82% de avanço físico.