A LLX Logística, empresa que reúne os projetos portuários do grupo EBX, de Eike Batista, passou nesta semana da marca de R$ 6 bilhões de valor de mercado. É um número impressionante para uma empresa não operacional, cujos dois portos só devem começar a exportar minério de ferro no fim de 2011 e em meados de 2012. O número também surpreende por ficar cerca de 40% acima dos US$ 4,4 bilhões do valor de mercado somado de outras três empresas portuárias com ações na bolsa: Santos Brasil, Log-In e Wilson, Sons.
Do início de janeiro até ontem, a ação da LLX subiu 481,4%, muito além da valorização dos concorrentes e do Índice Bovespa, que avançou 82,75%. No acumulado do ano, o preço da ação da Santos Brasil, que controla o principal terminal de contêineres do país, no porto de Santos, aumentou 164%; o da Log-In, 73,4%; o da Wilson, Sons, 103,3%. São todas empresas operacionais, que atuam em infraestrutura – um dos focos de atenção dos investidores – e com forte geração de caixa. Mas um problema dessas empresas é o baixo volume de negócios das ações.
Já a LLX é a empresa de maior liquidez do setor portuário, segundo a própria empresa indicou no resultado do terceiro trimestre. Em 30 de setembro, o valor de mercado da LLX era de R$ 4,5 bilhões. Um ano antes, em setembro de 2008, era de R$ 645 milhões. A ação pulou de R$ 1,50 em 2 de janeiro deste ano para R$ 8,78 ontem. No mercado há quem se surpreenda com esse desempenho, considerando que a única receita operacional da LLX é a venda de brita e pedras da Pedreira Sepetiba, uma subsidiária da LLX Sudeste, responsável pela construção de um porto para exportação de minério em Itaguaí, na Grande Rio.
Os projetos da LLX são bons, mas a empresa não tem receita [da atividade principal], só sonhos e memorandos de entendimento, diz um executivo do setor. De janeiro a setembro, a LLX registrou receita operacional bruta de R$ 29,4 milhões, dos quais só R$ 14,1 milhões corresponderam de fato à receita da pedreira. O restante foi resultado financeiro. A Santos Brasil registrou no perãodo receita bruta de R$ 543,7 milhões.
Na visão de um analista de investimento, o potencial de crescimento da LLX, apoiado em projetos de exportação de minério de ferro, com grandes margens de lucro, é bem maior do que o de terminais de contêineres. Isso explicaria a supervalorização da empresa de Eike Batista, embora ainda não carregue um grão de minério de ferro, enquanto a Santos Brasil movimentou 517,6 mil contêineres de janeiro a setembro. Juntas, Santos Brasil, Log-In e Wilson, Sons captaram cerca de R$ 2,5 bilhões em oferta de ações na bolsa.
Otávio Lazcano, presidente da LLX, vai na mesma linha: Existe um potencial enorme de valorização. O valor de mercado da empresa é muito pequeno perto do que pretendemos entregar aos acionistas nos próximos anos. A LLX trabalha com um cenário em que os seus dois grandes projetos – o porto do Sudeste e o Super Porto do Açu, em São João da Barra (RJ) – vão produzir juntos em 2016-2017 cerca de US$ 2 bilhões de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida).
Lazcano diz que o Porto do Sudeste tem potencial para faturar US$ 1 bilhão por ano, com margens de 90%, quando a segunda fase do projeto estiver implementada. A expectativa é que a LLX Sudeste gere entre US$ 800 milhões e US$ 900 milhões de lajida por ano em uma segunda etapa do projeto, que ainda não tem os investimentos definidos. Na primeira etapa, o investimento no Porto do Sudeste é de US$ 750 milhões para exportar 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano a partir do segundo semestre de 2011.
No Super Porto do Açu, estudo feito em 2008 por consultoria contratada indica que o projeto poderia gerar US$ 1 bilhão anual de lajida. O Açu começa a exportar minério de ferro da Anglo American a partir de meados de 2012. Também há projetos industriais, como uma siderúrgica e cimenteiras, previstos para a retroárea do porto. Temos mais de 70 memorandos de entendimento assinados, diz Lazcano. Em função dos projetos [nos dois portos] fica claro porque a LLX tem valor de mercado maior que as demais empresas.
Executivos que conhecem o setor portuário e a atividade de mineração consideram, porém, que a valorização da LLX também pode embutir a expectativa de um acordo de venda do controle da empresa . Outra fonte comparou o modelo de negócio de Batista a um private equity no qual ele desenvolve o projeto até um determinado momento e depois o passa adiante. Não é um modelo operacional.
Lazcano discorda: O acionista da LLX acredita na capacidade da administração de executar os projetos e na proposta de criação de valor. Ele também negou que o perfil do investidor da LLX seja diferente daquele que compra ações das demais empresas de logística portuária. O que diferencia a LLX é o foco no minério de ferro. Log-In, Santos Brasil e Wilson, Sons atuam na logística no segmento de contêineres e em outras atividades.
Eike Batista e Centennial, veículo de participação acionária do empresário, têm 54% da LLX. Os 46% restantes estão em mãos de minoritários, incluindo o fundo de pensão dos professores de Ontário, no Canadá, com 18%. A BNDESPar, braço de participações do BNDES, chegou a ter 12% em uma operação de aumento de capital feita em 2008, mas hoje está com 3%. Eduardo Couto, da Goldman Sachs, afirmou em recente relatório que o controle da LLX por Batista dentro do grupo EBX representa potenciais parcerias e sinergias para a empresa, o que é positivo. Mas também traz riscos, escreveu.