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Clippings - 07/04/21

Log-In quer ampliar presença feminina na área marítima

Inscrições para programa de formação de comandante e chefe de máquinas estão abertas até 12 de abril

Cada vez mais as mulheres ocupam seus espaços no mercado de trabalho e na atividade portuária não é diferente. Nos últimos anos, isso não vem ocorrendo somente na área administrativa, mas também nas áreas técnica e operacional. Para incentivar esse movimento, empresas do setor vêm investindo no desenvolvimento de novas lideranças femininas. Um exemplo é a Log-In Logística Intermodal, que pretende ocupar metade de seus cargos de liderança com mulheres até 2023, especialmente nas áreas operacional e marítima.

 A meta ambiciosa foi traçada pela diretora de Gente, Cultura e Transformação Digital da Log-In, Andrea Simões. Engenheira química por formação, acostumada a trabalhar em ambientes predominantemente masculinos, ela lançou recentemente o Navegar, um programa que pretende formar novas lideranças femininas com o DNA da companhia. As primeiras vagas para ocupar os dois maiores postos na hierarquia de um navio – de comandante e chefe de máquina – já estão abertas e as inscrições podem ser feitas até dia 12 de abril.

De acordo com a executiva, o Navegar é um programa pioneiro em recrutamento exclusivo de mulheres marítimas para fomentar a presença feminina em cargos de liderança. “É um programa de formação de pipeline para lideranças marítimas. Vamos selecionar mulheres do mercado com um tipo de certificação e desenvolvê-las internamente para que em um ano estejam aptas a assumirem as funções de comandante e chefe de máquinas”, explica.

A partir dessa experiência piloto, a meta é ter 50% de cargos de liderança na companhia em dois anos. Para isso, será adotado um programa de aceleração de sucessoras mulheres, gerentes e diretoras. Hoje, apenas 24% de todos os cargos na companhia são ocupados por mulheres, sendo apenas 12% na navegação. No porto, esse percentual é ainda menor: 9%. Ao se considerar os 156 cargos de liderança, 11% dos marítimos e 13% nos terminais são ocupados por mulheres. Ao todo, a companhia brasileira, dona de uma frota própria de sete navios porta-contêineres, tem entre seus colaboradores 227 mulheres e 703 homens.

“Queremos formar o nosso pipeline, das nossas mulheres, com o nosso jeito. Para isso, tenho que trabalhar a minha base, para ter minhas líderes performando bem e alimentando a minha pirâmide. É diferente de ir ao mercado e abrir a vaga para uma diretora CFO. Eu posso trabalhar com as minhas gerentes para serem diretoras, CFOs, e esta é a solução que escolhemos”, disse Andrea Simões.

O Navegar vai trabalhar a questão do desenvolvimento das mulheres e do ambiente para que elas se desenvolvam. “O objetivo é oferecer um pacote de benefícios para que elas continuem performando após virarem mães ou sendo mães. No mar, é preciso trabalhar melhor os homens em relação a mulheres em cargos de comando. Temos que realizar todo um trabalho voltado para a escuta, de como elas se sentem no ambiente de trabalho”, conta a diretora.

Apostar nas mulheres é uma decisão estratégica

Andrea explica por que a decisão estratégica de investir nas mulheres. “Entendemos que a diversidade é importante para trabalhar a inovação, melhorar a performance e engajar os time com olhares diferentes. A composição com olhar diverso é saudável para o ambiente de trabalho, Como existe um ambiente muito masculino, a forma de agir tem um olhar único”, conta ela.

A iniciativa está sob o guarda-chuva de um Programa de Diversidade e Inclusão mais amplo na companhia. O trabalho foi iniciado em outubro do ano passado. Em janeiro foi realizada uma ‘semana da diversidade’, trazendo consultores para falar de racismo estrutural com uma abordagem feminina, masculinidade, capacitismo e outros temas.

Foi realizado um bate papo com uma consultoria especializada em desenvolvimento feminino, trabalhando com os sabotadores que levam a mulher a não se desenvolver na carreira, além de ações de coaching em módulos, com várias atividades internas em março, Mês da Mulher. “A experiência das marítimas é encantadora, elas passam 60 dias embarcadas”, comenta Andrea.

Segundo a executiva, o maior desafio não é o processo seletivo, mas fazer com que as mulheres sejam respeitadas e aceitas no ambiente de trabalho no dia a dia. “Precisamos trabalhar a liderança inclusiva. Imagine um imediato de 65 anos sendo comandado por uma mulher comandante de 40? É esse paradigma que queremos quebrar porque, além do machismo, ainda tem o preconceito geracional”, conta ela.

Sobre o processo seletivo

Para participar do processo seletivo, as candidatas interessadas deverão apresentar o seguinte perfil: mulheres com idade máxima de até 55 anos, certificação a partir de CCB (Capitão de Cabotagem) / CLC (Capitão de Longo Curso) e 1OM (Primeiro Oficial de Máquinas) /OSM (Oficial Superior de Máquinas), domínio de pelo menos uma língua estrangeira e cursos de capacitação.

Além disso, é importante ter uma visão estratégica de negócios e habilidade para trabalhar em equipe, boa capacidade de comunicação, criatividade, proatividade, empreendedorismo, flexibilidade e foco em resultados.

O processo seletivo será dividido em cinco etapas: seleção das candidatas, teste online, vídeo apresentação, entrevista e, por fim, a contratação. As candidatas selecionadas terão de realizar um curso de formação teórico, passar por treinamento a bordo em, pelo menos, dois navios distintos, além de avaliação dos líderes de Bordo, de Frota e de Recursos Humanos. As inscrições vão até 12 de abril. Acesse o link e saiba mais: https://bit.ly/3lScbON

Fonte: Revista Portos e Navios