
Com R$ 680 milhões de ROL no período, resultado da empresa foi impactado pelo feeder, mas compensado pela recuperação do TVV e do transporte rodoviário de cargas. Aumento de custos operacionais e redução de fretes estão entre desafios
A Log-In Logística Integrada encerrou o primeiro trimestre de 2026 com receita operacional líquida (ROL) de R$ 680,1 milhões, próximo ao mesmo período de 2025 (R$ 683,8 milhões). O Ebitda ajustado totalizou R$ 106,6 milhões, com margem de 15,7%, queda de 30% em comparação aos R$ 153 milhões apurados em igual período do ano passado. Na navegação costeira, destaque para a cabotagem, que registrou o maior volume já transportado em um primeiro trimestre. Já o Terminal Portuário de Vila Velha (TVV) apurou sua maior receita (R$ 106,6 milhões) e Ebitda para os três primeiros meses do ano.
A navegação costeira encerrou o trimestre com ROL de R$ 445,4 milhões e Ebitda ajustado de R$ 66,9 milhões. O maior volume já transportado pela cabotagem para um primeiro trimestre refletiu a ampliação da base de clientes, o aprimoramento do nível de serviço e a expansão de capacidade em rotas estratégicas. As operações no Mercosul também avançaram no período, beneficiadas pela intensificação das exportações da Argentina.
O feeder, no entanto, apresentou redução de volume em função do encerramento do Serviço Shuttle Navegantes (SSN) em abril de 2025, cuja criação foi pensada em resposta a uma demanda pontual sinalizada pelo mercado. O período também foi impactado pela desvalorização do dólar, com reflexo nas receitas indexadas à moeda estrangeira.
A Log-In destacou a aderência de 98% ao schedule dos serviços de Navegação, refletindo a reorganização da malha operacional e a realocação de capacidade para corredores com maior demanda. Além disso, a empresa avalia que os ganhos de eficiência operacional contribuíram para minimizar a pressão dos custos variáveis decorrente do maior volume movimentado.
O presidente da Log-In, Marcus Voloch, explicou que a queda na navegação foi puxada pela redução do feeder, a partir do fim do serviço Navegantes, que agregava muito em volume e receita — o que passou a ser compensado, em parte, pelos crescimentos significativos nos volumes dos serviços da cabotagem e do trade Mercosul.
Custos
O executivo contou que a empresa continua a enfrentar aumentos fortes de custos operacionais, principalmente em terminais, incluindo praticagem e combustíveis, cujos efeitos têm sido mitigados por ganhos de eficiência. Segundo Voloch, o aumento desses custos é parcialmente responsável pela redução do Ebitda e, em grande parte, se deve à redução dos níveis de frete da navegação costeira.
O Ebitda ajustado ficou em R$ 106,6 milhões, 30% abaixo do mesmo período de 2025, puxado pelo resultado da navegação. A margem Ebitda do trimestre sofreu redução de 6,7 pontos percentuais, ficando em 15,7%. “O objetivo do time comercial, há alguns meses, tem sido recompor nossas margens por meio de aumento de fretes, ainda que, eventualmente, a custo de market share“, afirmou Voloch, na última quinta-feira (14), durante teleconferência sobre os resultados do trimestre.
Voloch destacou o crescimento significativo do TVV e a recuperação da Tecmar. Ele frisou que o cenário das atividades é desafiador, com juros altos, inflação forte, combustível com forte alta e, por outro lado, a atividade econômica que não vem crescendo. “A gestão dos custos se faz importante, porém a recuperação do resultado passa, inevitavelmente, pela reprecificação dos nossos produtos, principalmente na navegação e no rodoviário”, justificou.
Fonte: Revista Portos e Navios