A Hannover Fairs Sulamérica, empresa responsável pela Cemat Soth America, realizou ontem terça- feira, 28, um debate sobre os desafios da logística no Brasil. Faltando apenas dois meses para o evento, expositores e profissionais do setor se reuniram no Hotel Tivoli Mofarrej, na Alameda Santos, para mostrar aos fornecedores da cadeia logística a real demanda do mercado. Durante a abertura do evento, Valério Regente, diretor executivo da Hannover Fairs Sulamérica, destacou a importância da feira para o setor e para os futuros negócios. “Nós pretendemos transformar a feira em um ponto de conteúdo para o mercado”, disse.
Luís Claudio Martão, responsável pela área de operações logísticas da C&A Modas, salientou que um dos maiores desafios para quem faz a logística é o que se refere a custos e nível de serviço. “O mercado cobra um nível de serviço cada vez mais exigente, porém não querem pagar por isso. A melhor alternativa seria poder melhorar esse nível de serviço sem aumentar os custos. Mudar isso faria uma grande diferença”.
Para o diretor de logística do Magazine Luiza, Ricardo Rodrigues, quando se fala em nível de serviço significa que o cliente quer comprar um produto de forma competitiva, “portando a empresa tem que garantir variedades e disponibilidades de produtos de forma rápida, fácil e em um prazo viável”, disse.
Para isso, destaca Wellington Amorin, gerente de Suporte ao Cliente da Helibras, é preciso que haja infraestrutura, que segundo ele, hoje é precária. “Para ter os melhores níveis de serviços e custos menores precisamos começar pelo básico, que nós não temos: infraestrutura. Nós não temos rodovias, ferrovias e nem aeroportos preparados, então como podemos melhorar o nível de serviço e reduzir os custos se não temos infraestrutura para receber isso?”.
O gerente destacou ainda o não uso da navegação marítima e das conexões ferroviárias para o transporte de cargas. “A infraestrutura no País chega a ser quase ridícula. Esses pilares precisam ser melhorados para podermos seguir adiante”, ressaltou.
Na área farmacêutica, apesar de não haver crises nesse sentido, ressaltou Saulo de Carvalho Júnior, presidente da Anfarlog (Associação Nacional de Farmacêuticos Atuantes em Logística), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é um entrave muito grande. “A Anvisa cobra que o transporte e armazenagem das cargas seja feito por empresas cadastradas por ela, o problema é que em alguns estados não tem empresas qualificadas por ela, o que pode barrar o transporte de um medicamento importante para alguém que precisa”, destacou.
Realizada a cada dois anos no Brasil, a Cemat vai para sua terceira edição e espera reunir 25 mil pessoas e 300 marcas nacionais e internacionais serão representadas.