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Clippings - 19/04/22

Longo curso considera cedo para prever normalização da cadeia logística na China

Arquivo/Divulgação

Armadores associados ao Centronave avaliam que maior impacto logístico observado diante dos lockdowns que vêm ocorrendo, principalmente em Xangai, tem sido na logística terrestre interna do país, no modal rodoviário.


Transportadores marítimos de longo curso consideram que ainda é prematuro prever quando ocorrerá a normalização da cadeia logística na China. A avaliação é que o maior impacto logístico observado diante dos lockdowns que vêm ocorrendo, principalmente em Xangai, tem sido na logística terrestre interna do país, no modal rodoviário. Para o Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), que representa 19 armadores de longo curso, há diversos fatores a serem considerados, principalmente a duração desse surto da variante ômicron e das medidas governamentais que serão tomadas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as autoridades chinesas estão enfrentando o maior surto de Covid-19 desde o início da pandemia, com uma variante híbrida de duas cepas da ômicron. Segundo avaliações divulgadas recentemente, cerca de 200 milhões de pessoas e mais de 20 cidades chinesas estariam sob lockdown total ou parcial, com suas entradas e saídas rodoviárias bloqueadas total ou parcialmente. Com isso, o transporte terrestre interno do país foi bastante afetado e a cadeia interna de suprimentos está sob grande pressão.

Diante desse novo recorde de infecções, as autoridades de Xangai, onde se localizam os mais importantes terminais de contêineres do mundo, adotaram uma série de medidas rigorosas para controlar o contágio, causando interrupções significativas nas atividades locais de fabricação e transporte, o que inevitavelmente adiciona uma pressão extra no sistema logístico terrestre interno do país.

Os armadores entendem que as autoridades estão atuando da melhor forma possível e por elas entendidas como as mais adequadas em cada caso, levando em consideração todo o contexto sanitário, operacional, logístico e industrial. “Outra preocupação a ser considerada, no futuro, será a possível sobrecarga de volumes acumulados de contêineres e o possível congestionamento na armazenagem de mercadorias assim que os lockdowns forem sendo encerrados e as restrições removidas”, ressaltou em nota o diretor-executivo do Centronave, Claudio Loureiro de Souza.

O índice ‘Caixin China General Manufacturing PMI’, que mede o desempenho geral da produção do país, teve queda em março de 2022, com as taxas mais baixas vistas desde fevereiro de 2020. Na visão do Centronave, outro fator a ser considerado é que a rigorosa testagem realizada na população e nos trabalhadores, incluindo os motoristas de caminhão, fazem com que as mercadorias se acumulem nos depots e instalações de armazenagem, inclusive nos portos. “Esses são os principais fatores que estão resultando em um gargalo logístico interno e começando a gerar atrasos no transporte marítimo, devido ao acúmulo de bens e mercadorias parados”, destacou Loureiro.

Na semana passada, uma das principais empresas de transporte marítimo internacional avisou a seus clientes que as medidas de bloqueio poderiam restringir os serviços de transporte em até 30 %. Diante desse cenário, algumas montadoras localizadas em Xangai e empresas portuárias anunciaram que estão começando a utilizar o modelo de trabalho em ‘ciclo fechado’, em que os trabalhadores dormem no local de trabalho para evitar o risco de infecções externas. Uma pesquisa publicada pela Câmara de Comércio Americana, no último dia 1º de abril, mostrou que 57% dos entrevistados sofreram interrupções em suas cadeias de suprimentos. O levantamento teve a participação de 167 empresas associadas, das quais 120 mantêm operações em Xangai.

Fonte: Revista Portos e Navios