As companhias aéreas devem fechar o ano com lucro líquido de US$ 19,9 bilhões, ou 87,7% a mais que os US$ 10,6 bilhões de 2013, representando um dos melhores resultados dos últimos tempos para a aviação global, prevê a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata).
Para 2015, a projeção é de lucro de US$ 25 bilhões, alta de 25,6% em relação a este ano, segundo Tony Tyler, diretor-geral da Iata.
“Pode parecer que US$ 25 bilhões é muito dinheiro, mas é distribuído numa indústria muito fragmentada”, afirma Tyler, insistindo que algumas aéreas conseguem lucros sustentáveis, enquanto outras continuam lutando para sobreviver.
Menor preço do petróleo e ligeira melhora na economia mundial são os principais fatores que justificam o salto nos resultados. Para o ano que vem, a entidade projeta preço médio de US$ 85 por barril – o que representa 20% a menos do que a média de custo deste ano.
Com isso, o preço das passagens também deve cair. A Iata calcula uma redução média de 5,1% nas tarifas no ano que vem (antes de taxas e outros encargos) em comparação a este ano. Para as empresas, o custo de transporte de cargas deve diminuir 5,8% em termos reais.
Globalmente, a entidade calcula que 3,5 bilhões de pessoas vão viajar de avião e 53,5 milhões de toneladas de cargas serão transportadas.
Metade dos lucros do ano que vem, ou US$ 13,2 bilhões, deve ser gerado por empresas da América do Norte. As europeias vão lucrar US$ 4 bilhões. “As companhias da América do Norte estão virando o ponto em que geram suficiente retorno para investidores para atrair novo capital”, diz Brian Pierce, economista-chefe da Iata. “Em outras regiões, mesmo que façam melhor do que em 2014, ainda há um longo caminho antes de serem vistas pelos investidores como sendo financeiramente saudáveis.”
A Iata, como sempre, tenta mostrar que as aéreas continuam a ganhar pouco. Tyler argumenta que a margem líquida é de apenas 3,1%. As companhias ganham US$ 7 por passageiro. Em comparação, diz, a rede de cafeterias Starbucks cobra US$ 7 por um café na Suíça. Se a margem líquida for de 14%, significa que a venda de sete copos de café geram o mesmo lucro que uma passagem aérea, em média.
Na América Latina, a margem líquida do setor aéreo é de 2,6%, menor que a média global. As companhias aéreas enfrentam um ambiente misto na região, avalia a Iata. A fragilidade econômica nesses países dificulta o desempenho das empresas, mas um grau de consolidação e alguns sucessos de voos de longo curso devem ajudar na obtenção de lucro líquido de US$ 1 bilhão em 2015, comparado a US$ 700 milhões neste ano. Em 2013, o lucro foi de US$ 200 milhões.
A demanda pelo transporte aéreo doméstico de passageiros (medida por passageiros-quilômetros pagos transportados – RPK) na América Latina deve crescer 6%, comparado a 7% globalmente. Já a oferta na região, medida por assentos-quilômetros oferecidos (ASK), deve subir 6,5%, ante a média global de 7,3%.
Tyler reclamou da situação na Venezuela, acusando o governo de Nicolás Maduro de impor regulação complicada para a repatriação de fundos. Segundo o executivo, 24 companhias têm US$ 3,6 bilhões “retidos” na Venezuela. Ele disse que o governo está lentamente liberando o dinheiro, resultado de lucros das aéreas, mas com uma taxa de câmbio muito baixa.
A Iata conclama de novo o governo venezuelano a respeitar suas obrigações internacionais. Alerta mais uma vez que várias companhias não têm outra escolha, senão cortar serviços dramaticamente no país. “E a pressão pode só aumentar, com mais investidores ou potenciais investidores reconhecendo os riscos de fazer negócios na Venezuela.”