Medida que causa perdas de receita em estados produtores de petróleo ainda será votada no Senado.
Em conversas reservadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta quinta-feira, 11, a interlocutores que pretende vetar a emenda que prevê a distribuição igualitária dos royalties do petróleo, caso ela seja mantida no texto final do projeto que muda o sistema de exploração do produto na área do pré-sal.
A emenda, dos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG), foi aprovada na quarta-feira pela Câmara por 369 votos a favor, 72 contra e duas abstenções, em mais uma derrota do governo, que era contrário à proposta.
O projeto será agora examinado pelo Senado. O Palácio do Planalto não acredita que os senadores irão alterar o dispositivo aprovado pela Câmara, já que a medida tem amplo apoio da maioria dos Estados e municípios e seria difícil derrubá-la em um ano eleitoral. Por isso, Lula acha que não escapará do veto.
Ao redistribuir o dinheiro dos royalties, a emenda impõe elevadas perdas de receita aos estados produtores de petróleo.O Rio de Janeiro, por exemplo, deve perder quase R$ 5 bilhões por ano em relação ao que recebe atualmente com os royalties. Os municípios do Estado do Rio devem perder cerca de R$ 2,5 bilhões.
A emenda, além disso, contrariou acordo feito pelos estados produtores de petróleo e o Palácio do Planalto. No acordo, feito para permitir a votação do projeto, a União abriu mão de parte do que lhe cabia nos royalties para que os Estados e municípios mantivessem a maior fatia do bolo arrecadado com a contribuição.
A emenda Ibsen, no entanto, estabeleceu uma divisão praticamente por igual, aumentando significativamente o que será direcionado aos estados e municípios de todo o País, mesmo os que estão longe das áreas do pré-sal.
Durante a votação do projeto na Câmara, os líderes do governo já vinham avisando os deputados que Lula vetaria a emenda, caso ela fosse aprovada. O presidente não terá condições de sancionar essa medida, isso é um terreno na lua, um engodo, disse o líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), durante a votação de quarta-feira.