O transporte marítimo brasileiro via contêiner deve crescer entre 5% e 6% neste ano, alcançando 4,15 milhões de Teus (unidade de contêiner de 20 pés) cheios, estima a Maersk Line, maior armador do mundo nesse nicho. A projeção leva em conta um crescimento estável sobre 2013, quando o comércio exterior brasileiro expandiu 5,1% e chegou a 3,98 milhões de Teus cheios.
A previsão parte de cenário em que a indústria da navegação ainda sofrerá com a falta de infraestrutura adequada (especialmente na conclusão das dragagens), com alta burocracia aduaneira, e com escassez de oferta de acessos terrestres aos principais portos.
Segundo Peter Gyde, diretor-geral da Maersk Line no Brasil, o conjunto de problemas limita o crescimento da movimentação nos portos. Ele não soube estimar qual seria o volume potencial caso os gargalos estivessem resolvidos. Mas disse que a persistência das barreiras gera impactos problemáticos aos clientes e preocupação.
Além desse cenário já conhecido, outro problema tem deixado o mercado em alerta sobre os volumes nos portos neste ano: a possibilidade de um racionamento de energia na indústria, que pode impactar o crescimento do PIB.
Segundo Gyde, a companhia mantém a intenção de continuar investindo no Brasil. No entanto, ele ressaltou a necessidade de avanços estruturais. Em 2013, a Maersk Line concluiu aporte de US$ 2,2 bilhões em 16 navios especialmente projetados para os portos brasileiros de águas rasas.
Os últimos dados do setor também foram parcialmente frustrantes diante da expectativa inicial, que era de avanço de dois dígitos devido às importações em razão da Copa do Mundo. O comércio brasileiro via transporte marítimo fechou o quarto trimestre de 2013 com crescimento de 8,3%. Em janeiro a alta foi de apenas 2,2%, com avanço de 6,7% nas importações e queda de 3,6% nas exportações.
Segundo Mario Veraldo, diretor de vendas da Maersk Line no Brasil, a principal explicação dada pelos clientes foi a baixa no ritmo do consumo para o perãodo, especialmente em eletrônicos, como televisores, que geralmente batem recorde em ano de Copa e puxam importações. Por outro lado vimos aumento significativo da indústria automotiva, que puxou as importações para cima.
Uma das grandes apostas dos armadores para ampliar a movimentação continua sendo aumentar o índice de conteinerização das commodities, tradicionalmente embarcadas soltas nos porões. A medida visa ganhar novos mercados utilizando os contêineres de importação que retornam vazios à origem. Conforme Veraldo, embarcadores de soja têm experimentado com sucesso a migração.