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A Maersk, maior companhia de transporte marítimo do mundo, prevê um crescimento de 3,8% no mercado de contêineres brasileiro, considerando tanto as exportações quanto as importações, em 2020. Segundo afirmou o diretor comercial da Maersk para a Costa Leste da América Latina, Gustavo Paschoa, esse crescimento, embora “modesto”, será impulsionado pelas exportações que deve manter a curva de crescimento no segundo trimestre do ano. As projeções foram divulgadas durante Webinar organizada pela empresa sobre o desempenho do setor de exportação e importação, nos diversos segmentos, realizado nesta quinta-feira (18).
Com relação às exportações, a companhia vem observando um crescimento desde o segundo trimestre de 2019. Até mesmo após a chegada do novo coronavírus no país, em meados de março, esse crescimento se manteve, com um aumento de 6% no primeiro trimestre. E apesar das incertezas sobre a pandemia, a previsão é de que a exportação continue forte também no segundo e terceiro trimestre no ano.
Produtos como milho, algodão, e grãos como a soja e café, apresentaram desempenho significativo nas exportações brasileiras. O algodão teve uma leve queda no final do segundo trimestre, mas não tão acentuada como em anos anteriores. Outra carga que também ganhou destaque nas exportações foram o papel e celulose. O crescimento se deu em decorrência da necessidade do uso material para a produção de máscaras, lenços, entre outros produtos essenciais no atual contexto.
Em termos de carga refrigerada de exportação o destaque foi para a proteína animal, especialmente a carne de poro e frango. Em razão da crise acentuada na Ásia, importante destino da proteína animal brasileira, algumas empresas redirecionaram a carga para o Oriente Médio, conseguindo ganhar mercado naquela região. Assim, no primeiro trimestre do ano o Oriente Médio teve uma participação importante nas exportações brasileiras.
O único ponto de alerta par as exportações tem sido a nova onda do coronavírus na China, principal parceiro comercial do Brasil. Paschoa afirmou que a companhia vem monitorando a evolução da doença naquele país, mas destacou que até o momento não há indício de que haverá lockdown nem impacto nas exportações. A preocupação continua sendo com a disponibilidade de contêineres refrigerados, pois, da mesma forma como aconteceu durante a primeira onda do vírus, pode haver um novo recolhimento dos equipamentos nos portos chineses.
Já a previsão para as importações é de queda de 20% a 25% no segundo trimestre do ano, acompanhando uma diminuição já sentida nos primeiros três meses de 2020. De acordo com eles a estimativa é de que apenas no final do terceiro trimestre as importações comecem a dar sinal de melhora, com uma recuperação prevista para o final do quarto trimestre. As importações apresentaram uma pequena melhorada do final do segundo trimestre para o início do terceiro devido aos fertilizantes, fundamentais para a produção agrícola no país.
Porém, apresentou queda expressiva no setor automotivo desde o primeiro trimestre desse ano, sem previsão de uma recuperação em breve. Máquinas e equipamentos também apresentaram redução a partir do segundo trimestre. Já papel e celulose não tiveram crescimento, mas se manteve nivelado em comparação com o ano passado.
Paschoa afirmou que a queda nas importações está muito associada ao consumo, que sofreu forte retração em razão da quarentena. Ele frisou que a partir do momento que a economia vai voltando à normalidade, “ou a um novo normal”, as empresas começarão a reposicionar seus estoques. Dessa forma, o cenário de recuperação vai depender de como será esse retomada da economia.
Fonte: Revista Portos e Navios