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Clippings - 09/07/14

Maersk reduz presença no Brasil e faz baixa contábil de US$ 1,7 bi

A frustração quanto à estimativa de reservas em dois campos no pré-sal da Bacia de Campos foi a principal motivação da Maersk Oil para uma baixa contábil de US$ 1,7 bilhão em seu balanço e reduzir a presença no negócio de exploração no Brasil, apesar de ainda ter participação em dois prospectos no país. Com essa redução, os ativos da Maersk no Brasil passam a ser de US$ 600 milhões, ante os US$ 2,4 bilhões registrados em 2011. A atualização do valor dos ativos, obrigatória pelas normas de contabilidade e que deve ser feita pelo menos uma vez por ano, vai impactar o resultado da companhia no segundo trimestre.

“Como parte da nossa revisão estratégica, decidimos não buscar o crescimento em nossos negócios de exploração e produção no Brasil. O país não fará mais parte do núcleo central do nosso portfólio de petróleo”, disse o presidente executivo da Maersk Oil, Nils Andersen, ao Valor PRO, serviço em tempo real do Valor.

Andersen afirmou que a decisão foi tomada após revisão interna de focar em ativos mais promissores em outras partes do mundo. E citou os campos de Johan Sverdrup, na Noruega, que considerou “uma das maiores descobertas de todos os tempos no país”, e o campo Al Shaheen, no Qatar; Chissonga em Angola; Jack nos Estados Unidos; Culzean no Reino Unido; e outros no Mar do Norte.

O executivo citou os campos Wahoo e Itaipu, operados respectivamente pela Anadarko e a BP, como principal razão da baixa contábil. “Os campos são menores do que pensávamos, e esta é a principal razão para essa nossa perda”, disse Andersen. Sem mencionar volumes, ele explicou que a companhia esperava pelo menos o dobro das reservas que estão sendo estimadas agora. “O que esperávamos era duas vezes mais do que realmente devem ser as reservas. Mas não sabemos qual será a real produção, porque não temos os planos de desenvolvimento dos campos ainda”, continuou.

Além da baixa contábil, a Maersk vendeu sua participação de 40% no campo de Polvo, na Bacia de Campos, para a sócia HRT, que passa a deter 100% do campo. Polvo produziu, em maio, 10.350 barris de petróleo e gás por dia, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O executivo não citou cifras, mas garantiu que o valor “não foi significativo”. “Polvo não era grande o suficiente para ser alvo de investimento para nós.” Em fato relevante, a HRT informou que tem planos de aumentar a vida útil de Polvo desenvolvendo reservas provadas, mas não desenvolvidas, na área da concessão.

O executivo não descartou a possibilidade de voltar a investir em E&P no Brasil. “Se a gente ficar [no país] e colocar Itaipu e Wahoo em produção, claro que voltaremos a olhar o mercado, mas pelos próximos dois anos, dado o volume significativo que precisamos investir em outros países, não vamos olhar para o Brasil”, disse. “Nossa expectativa, quando investimos nos três campos em 2011, eram preços mais altos para o petróleo, e que o custo de desenvolvimento fosse bem menor. Mas a maior razão para a perda contábil dos campos que temos no Brasil é que há menos óleo neles do que esperávamos”, voltou a afirmar.

O campo de Wahoo é operado pela Anadarko (30%), tendo ainda como sócios a BP (25%), Maersk Oil (20%), e as indianas Bharat Petroleum (12,5%) e Videcon (12,5%). Já Itaipu é operado pela BP (40%), e tem participação da Anadarko (33,3%) e Maersk Oil (26,7%). As assessorias da Anadarko e da BP não comentaram as declarações do sócio.

Andersen afirmou, reiteradas vezes, que o Brasil continua estratégico para a companhia em outras áreas onde atua, como em serviços para óleo e gás, transporte marítimo de contêineres e terminais portuários. As duas últimas atividades, aliás, representam as maiores áreas de atuação da companhia no mundo.

A Maersk comprou a participação nos três blocos da SK Energy por US$ 2,4 bilhões em 2011. Quando questionado se a razão para o aumento nos custos tinha relação com a exigência de conteúdo local, afirmou que, de maneira geral, a “alta exigência de conteúdo local no país realmente aumenta o custo de operação”. Mas os custos estão aumentando no mundo inteiro e não só no Brasil.

Não é de agora que a dinamarquesa vem se desfazendo de ativos tanto globalmente como no Brasil. Em 2012 a companhia vendeu por US$ 1 bilhão a FPSO Peregrino, instalada no campo de mesmo nome na Bacia de Campos, para a norueguesa Statoil.

Andersen assegurou que a companhia está em boa posição, com portfólio forte, e previu que esses projetos começarão a gerar valor e elevar a produção da Maersk já em 2020. Ele acrescentou, ainda, que a companhia fez “uma série de tentativas” de crescer sua participação no Brasil, mas “sem sucesso”. “Em paralelo, conseguimos expandir nossa atuação em diversos outros países, onde tivemos mais sorte e [fomos mais] bem sucedidos, e vamos concentrar nossos esforços nisto”, afirmou.

Quanto ao futuro no Brasil, Andersen negou intenção de se desfazer das participações em Itaipu e Wahoo, e se disse entusiasmado com as perspectivas de desenvolvimento para colocar em produção os dois campos. Mas admitiu que, “a depender das circunstâncias”, a Maersk pode vir a vender os ativos no futuro.