Operadoras perfuraram 284 poços exploratórios marítimos alcançando a camada geológica do pré-sal desde 1980, encontrando óleo e/ou gás em ao menos 64% deles (182), segundo dados da ANP obtidos pelo PetróleoHoje. A conta inclui poços pioneiros, estratigráficos, de extensão, pioneiros adjacentes e de jazida mais profunda – se considerados somente os poços pioneiros (117, no total), a proporção cai para 55%.
A maior parte dos poços exploratórios (147) foi perfurada na Bacia de Campos, onde a razão entre poços com indícios e o total de poços perfurados foi de 56% – inferior à da Bacia de Santos, na qual foram perfurados 117 poços, com 80% deles encontrando óleo e/ou gás. Quatro poços (três em Campos e um em Santos) não tiveram resultado informado.
A Petrobras perfurou 178 poços exploratórios, constatando hidrocarbonetos em 119 deles (67%). A Dommo Energia aparece em segundo lugar, com 37 poços (14 deles com indícios), seguida pela BP Energy (16 poços, dos quais 12 com óleo e/ou gás).
Nos anos 80, foram perfurados três poços exploratórios, todos eles sem informações sobre seu resultado. Na década seguinte, foram perfurados dez poços, com apenas três deles constatando a presença de hidrocarbonetos. Entre 2001 e 2010, 85 dos 140 poços encontraram óleo e/ou gás (60,7%), enquanto, entre 2011 e 2019, 94 dos 131 poços perfurados localizaram indícios (71,7%).
O pico anual do número de poços iniciados ocorreu em 2010, com 47 registros, dos quais 29 encontraram indícios. Desde então, houve queda vertiginosa, sendo que a última alta ocorreu entre 2016 e 2017, quando houve salto de quatro para sete poços.
Desde 1º de janeiro de 2019, começaram-se a perfurar apenas cinco poços, sendo que três deles encontraram indícios: o 1-SHEL-31-RJS, em Alto de Cabo Frio Central (projeto operado pela Shell), o 3-BRSA-1370-SPS, no bloco S-M-623, da Petrobras, e o 3-EQNR-3-SPS, em Norte de Carcará, da Equinor.
Ainda que datada de junho de 2020, a lista da ANP não contém poços exploratórios iniciados este ano, como o 1-SHEL-33-RJS – perfurado pela petroleira anglo-holandesa em Saturno e que resultou seco – ou o 1-BRSA-1376D-RJS, perfurado pela Petrobras no prospecto de Naru.
O único poço exploratório da planilha que aparece como concluído este ano é o 3-BRSA-1370-SPS, no bloco S-M-623, onde está o prospecto de Sagitário. Embora tenha constatado presença de hidrocarbonetos, ele foi abandonado permanentemente pela Petrobras, de acordo com a ANP.
Em 2019, foi concluída a perfuração de cinco poços exploratórios, nos blocos de Uirapuru (1-BRSA-1373-SPS), Alto de Cabo Frio Oeste (1-SHEL-31-RJS), Peroba (1-BRSA-1363-RJS) e Norte de Carcará (3-EQNR-3-SPS e 3-EQNR-1-SPS). Dentre eles, somente o primeiro não encontrou indícios de óleo e/ou gás. Os poços de Peroba e o 3-EQNR-3-SPS constam como “abandonados temporariamente”, enquanto os demais foram abandonados permanentemente.
Do total de poços exploratórios perfurados desde 1980, 17 produzem atualmente, nos campos de Búzios, Lula, Mero e Sapinhoá, na Bacia de Santos, Jubarte, Marlim, Marlim Leste e Marlim Sul em Campos, e Cancã, no Espírito Santo. O poço 3-Shell-30-RJS, da Shell, em Sul de Gato do Mato, consta como “em perfuração” na tabela da ANP. No entanto, conforme publicado, esse poço teve sua perfuração concluída em fevereiro deste ano.
Cabe destacar que a proporção de 64% de poços exploratórios que encontraram óleo e/ou gás no pré-sal não corresponde, tecnicamente, a uma “taxa de sucesso geológico”, uma vez esse conceito envolve a capacidade econômica de recuperação dos poços – critério que não foi considerado na estimativa feita pelo PetróleoHoje.
Sondas e onshore
Exatamente metade dos poços exploratórios iniciados nos últimos 40 anos (142) foi perfurada por sondas semissubmersíveis, enquanto navios-sonda responderam por 129 poços, e autoelevatórias, por nove poços. Outros quatro não tiveram o tipo de sonda responsável pela perfuração informado.
A semissubmersível Stena Tay (depois rebatizada ODN Tay IV), da Stena Drilling, perfurou o poço em lâmina d’água mais profunda, no Parque das Conchas (BM-C-10), operado pela Shell, na Bacia de Campos (2,887 mil m). Mas a maior profundidade final alcançada (7,628 mil m) foi a de um poço na locação de Parati, no BM-S-10, com o navio-sonda Deepwater Expedition, da Transocean, a serviço da Petrobras.
Uma curiosidade: a lista da ANP contempla ainda três poços exploratórios terrestres que atingiram o pré-sal: o 3-VITA-14-ES, no campo de Tucano, operado pela Vipetro, na Bacia do Espírito Santo; o 1-BRSA-1291D-SE, no bloco SEAL-T-420, em Sergipe-Alagoas, operado pela Petrobras; e o 6-BRSA-969-ES, no campo de Cancã, no Espírito Santo, também da estatal.
Outras categorias
Na planilha da agência reguladora constam ainda 281 poços injetores, de desenvolvimento e “especiais”, com perfuração iniciada desde 1985, dos quais 255 (90%) constataram a presença de óleo e/ou gás. Perfurados pela Petrobras (275), Total (cinco) e Dommo Energia (um), esses poços estão distribuídos pelas bacias de Santos (230) e Campos (51).
Somente três deles foram iniciados em 2020, todos em campos operados pela Petrobras: o 7-MRO-10A-RJS e o 7-MRO-10-RJS, em Mero, e o 8-SEP-4D-RJS, em Sépia.
Do total, 69 estão, hoje, produzindo e 61 injetando em campos como os de Lula, Sapinhoá, Berbigão, Búzios, Lapa, Jubarte, Tartaruga Verde e Sururu.
Fonte: Revista Brasil Energia