O relatório Energy Perspectives 2024, elaborado pela Equinor, estima que para atingir essa ambição do Acordo de Paris é necessário um aumento na velocidade e na escala da transição

Para atingir a ambição de 1,5ºC do Acordo de Paris, a velocidade e a escala da transição energética devem aumentar, estima a análise do Energy Perspectives 2024, elaborado por analistas da Equinor e divulgado nesta quinta-feira (6).
A análise contém dois cenários: o Walls, no qual mostra o ritmo atual da transição energética (moderado, mas com significante aceleração na evolução do sistema energético); e o Bridges, em que há mudanças rápidas e radicais necessárias para cumprir a ambição de 1,5°C.
Entre as razões que impactam a transição energética estão o aumento em tensões geopolíticas, as guerras e o fato de que alguns países terão eleições neste ano. “As políticas industriais protecionistas, o regresso de um Estado intervencionista e os crescentes desafios à segurança nacional prometem ser as características definidoras da futura economia global”, destacaram os analistas em relatório.
No que se refere à demanda, o cenário Walls mostra que a demanda total de energia primária atinge o pico no final da década de 2030, uma vez que o rápido declínio da demanda nas regiões industrializadas supera o crescimento contínuo na maioria das regiões emergentes. O cenário Bridges demonstra que o pico será em 2025, depois entrará em um declínio, terminando a um nível de procura global em 2050 que é 30% inferior ao observado em 2021.
Ainda sobre demanda, a procura combinada de combustíveis fósseis atingirá o pico em 2025 no cenário Walls, seguido de uma leve queda; a procura de carvão, petróleo e gás atingirá o pico em 2022, 2027 e 2035, respectivamente. A expectativa é que a produção de óleo diminua, uma vez que os investimentos terão uma baixa e alguns ativos de produção ficarão esgotados.
Os déficits da oferta serão compensados pelo crescimento da Opep e dos campos de shale oil dos EUA, um país que “continuará a atuar como uma fonte importante de oferta, além de ser fundamental no equilíbrio do mercado global e definição de preço”, segundo o relatório.
Já no cenário Bridges, a partir de 2025 a procura diminui. Até 2050, o que ainda resta de uso de combustíveis fósseis é totalmente reduzido, compensado pela remoção de carbono ou usado como matéria-prima nos setores petroquímico e outros setores não energéticos.
O setor de transporte rodoviário será o que mais sentirá a queda na demanda, à medida que há uma substituição dos veículos movidos a combustão e a diesel por veículos elétricos e híbridos. O setor energético será o único a registrar crescimento na procura de petróleo após 2025.
Em relação à demanda de gás, o cenário Walls mostra um aumento na demanda em 2025 e o pico em 2035. Contudo, após essa data a procura diminui, devido à intensificação da descarbonização. No cenário Bridges, a demanda chega ao pico em 2025, mas decai em mais de 70% até 2050, por causa de uma rápida mudança para uma transição energética mais abrangente.
“A utilização de energias renováveis e, portanto, a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis ocorre tão rapidamente que o papel do gás como combustível de transição é limitado”, destaca o relatório.
As tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS) devem desempenhar um papel “essencial” na descarbonização em grande escala dos setores energético e industrial. Para o cenário Walls, após 2030 o uso de CCUS tanto no carvão como no gás começa a acelerar, enquanto que para o Bridges o crescimento em CCUS é maior antes mesmo de 2030.
“Apesar dos contratempos de curto prazo, os sinais de longo prazo apontam claramente na direção de uma transição energética significativa e da descarbonização, mas os muros tornaram-se mais espessos e as pontes mais estreitas, e isso aumenta a incerteza da velocidade e escala da descarbonização para 2050 e além”, disse o economista-chefe da Equinor, Eirik Wærness.
Fonte: Revista Brasil Energia