Ao lado do colega chinês, Xie Xuren, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, elogiou a expansão do comércio com a China, mas cobrou diversificação das exportações brasileiras com a inclusão de mais produtos industrializados.
A China se tornou o primeiro parceiro comercial do Brasil, mas ainda há muito a fazer. Do lado do Brasil, queremos que a pauta seja mais diversificada’, disse, em discurso de abertura do Dia Nacional Brasileiro da Expo 2010 Xangai. O ministro afirmou que o Brasil quer construir uma nova ordem financeira global com a China.
O ministro afirmou que o Brasil possui um parque industrial desenvolvido, o que permite aumentar as exportações de manufaturados. Mantega disse ainda que o investimento chinês no Brasil é bem-vindo, tanto sozinho como em parceria com empresas brasileiras.
No ano passado, a China ultrapassou os Estados Unidos como principal destino das exportações brasileiras, com um volume de US$ 20,2 bilhões.
Desse montante, US$ 15,5 bilhões foram produtos básicos, com o minério de ferro e a soja à frente, enquanto os produtos industrializados ficaram em US$ 4,7 bilhões.
Crítica da política brasileira com relação à China, a Fiesp ecoa o coro dos que veem no yuan desvalorizado a origem da concorrência desleal dos produtos industrializados chineses, inviabilizando a venda de manufaturados ao gigante asiático.
Mantega, no entanto, afirma que o problema principal é a desvalorização do dólar, e não da moeda chinesa.
Depois das falas dos ministros, as duas comitivas assistiram a shows de Carlinhos Brown e de Mart’nália. A organização brasileira, a cargo da Associação Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex), distribuiu bandeirinhas do Brasil à plateia.
Encontro internacional teve shows de cantores brasileiros – O ministro da Fazenda, Guido Mantega também defendeu ontem o uso de reais e yuans no pagamento de transações comerciais entre os dois países, o que dispensa a necessidade de conversão para o dólar. É possível avançar na valorização de nossas moedas no comércio.
Depois do discurso, houve pequenos shows de Carlinhos Brown e Mart´nália, que à noite se apresentam em um teatro com capacidade para 2.000 pessoas, dentro da Expo. Pela manhí, o músico tentou em vão envolver a plateia de brasileiros no show e teve mais sucesso com os chineses, que ocupavam o fundo da sala, com as bandeirinhas na mão. Falando em português, o músico exagerou no esforço de relações públicas com a China: Não existe distância cultural entre a gente.
País é o maior comprador de celulose brasileira – Depois de se transformar no maior destino das exportações brasileiras de minério de ferro e soja, a China assumiu o primeiro lugar nas vendas de outra commodity, a celulose, com 34% dos embarques no primeiro quadrimestre deste ano. O porcentual é o dobro da participação que o país asiático tinha nas exportações do produto até o ano passado, quando sua demanda deu um salto de 135%, para 1,5 milhão de toneladas, uma participação de 33% no total.
Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa), disse que os chineses começaram a aumentar suas compras no começo do ano passado, quando o preço internacional caiu em razão da crise mundial. Em junho de 2009 a cotação ficou em menos de US$ 400 a tonelada, comparada a US$ 840 do ano anterior. Atualmente já está em torno de US$ 920.
Em 2009, o Brasil respondeu por 50% das importações de celulose da China, que anualmente produz 90 milhões de toneladas de papel e quer se tornar um dos líderes mundiais do setor.
Para atender ao aumento da demanda chinesa e de outros emergentes, as indústrias brasileiras de celulose planejam investir US$ 22 bilhões até 2016, o que poderá levar o Brasil da quarta para a terceira posição no ranking global, à frente da China.
Economia já está em desaceleração – A uma semana da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a economia brasileira já não corre risco de superaquecimento, devido a medidas recentes do governo e à crise da União Europeia.
Mantega disse que a economia tem dado “sinais importantes” de desaceleração.
Para o ministro, o Copom se baseou em análises “animadas” do mercado financeiro para o recente aumento dos juros, pelas quais o PIB do Brasil cresceria até 8% neste ano.