No balanço de seu resultado financeiro para o quarto trimestre de 2016, divulgado na última semana, a Petrobras informou que também está usando o Estaleiro Inhaúma, na Baía de Guanabara, como “centro logístico”, principalmente para apoiar projetos na Bacia de Santos. Segundo a estatal, o aproveitamento da área, onde foram convertidos FPSOs pelo grupo Enseada Indústria Naval, permitiu que o ativo não registrasse baixa contábil no perãodo.
Entre outras operadoras que utilizam bases de apoio no estado do Rio estão a Shell e a australiana Karoon, na Nitshore, em Niterói, e PetroRio e Statoil (Brasco, no Rio e em Niterói). A OGPar, que opera o campo de Tubarão Martelo, apoiava suas operações a partir das bases da Brasco, mas teria migrado para a Nitshore. A petroleira, contudo, não confirmou a informação.
Também operam ativos no Sudeste a norte-americana Anadarko (blocos C-M-101 e C-M-61), BP Energy (C-M-471 e C-M-473), Total (campos de Lapa e Xerelete) e QGEP (Atlanta, no bloco BS-4), mas, nesses casos, as bases de apoio às próximas atividades ainda não foram definidas. A QGEP, porém, antecipou que está contratando bases na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e no Porto do Açu (São João da Barra).
Norte/ Nordeste
No Nordeste, a Petrobras utiliza quatro bases para apoiar suas atividades de E&P offshore. Na Baía, as operações voltadas às bacias de Camamu-Almada e Jequitinhonha são feitas pela própria companhia a partir do Porto de Ferrolho, e em Sergipe, desde o Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB), com os serviços prestados pela VLI Operações Portuárias. Já no Rio Grande do Norte e Ceará, a G&C Manutenção e Serviços presta os serviços para a estatal a partir dos Portos de Guamaré e Paracuru, respectivamente.
Dentre as demais operadoras de empreendimentos na região, somente a francesa Total tem local definido para sua base de apoio logístico: Belém do Pará. É a partir de lá que serão apoiadas as atividades em seus cinco blocos na Bacia da Foz do Amazonas (FZA-M-125, FZA-M-127, FZA-M-57, FZA-M-86 e FZA-M-88). O prestador dos serviços portuários, no entanto, ainda não foi escolhido.
A base da Total pode vir a ser compartilhada com a britânica BP, que opera um bloco na Bacia de Barreirinhas (BAR-M-346), assim como pode acontecer com a sonda que será afretada para as campanhas de perfuração. A parceria, contudo, ainda está em análise.
O compartilhamento de infraestrutura e equipamentos, incluindo barcos de apoio, já foi experimentado no passado por petroleiras privadas, mas a tendência é que, à medida que seus projetos forem ganhando corpo no país, as contratações sejam fracionadas, com cada companhia utilizando os ativos separadamente.
A Petrobras, por sua vez, sinaliza que poderá mudar seu “estilo” de contratação, mirando a integração, como já faz nas áreas de poços e subsea. No início do ano, a petroleira abriu uma consulta (Request for information ou RFI, na sigla em inglês) para verificar a capacidade de fornecimento de serviços logísticos integrados, incluindo helicópteros, barcos de apoio, transporte terrestre e berços de atracação.
“Acho que só um consórcio poderia fazer isso”, comenta um especialista ouvido pela Brasil Energia Petróleo.
Apoio aéreo
As bases de apoio aéreo às atividades de E&P offshore no país também se concentram no Rio de Janeiro. A Petrobras opera no estado a partir dos aeroportos de Cabo Frio, Jacarepaguá (capital), Macaé, e Campos dos Goytacazes.
Para transportar passageiros a suas plataformas nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo, a estatal conta ainda com aeroportos em Vitória (ES), Navegantes (SC) e Itanhaém (SP).
Petroleiras privadas como a Statoil e a PetroRio também utilizam o aeroporto de Cabo Frio para apoiar suas atividades nos campos de Peregrino e Polvo, respectivamente. Os voos da norueguesa são operados pela Aeróleo e os da brasileira, pela Helivia. Já os voos da QGEP partem de diversos aeroportos no estado do Rio.
No Nordeste, os aeroportos utilizados pela Petrobras ficam nos municípios de Aracaju (SE) e Guamaré (RN) – de onde partem aeronaves rumo a empreendimentos nas bacias de Sergipe e Potiguar – e Paracuru (CE) e Salvador (BA), para as bacias do Ceará, Camamu-Almada e Jequitinhonha.
Entre as IOCs, a Total usará o aeroporto de Macapá (AP) como base de apoio aéreo. A BP, que analisava compartilhar o aeroporto com a francesa, deve optar por Oiapoque, também no Amapá.
A anglo-holandesa Shell indicou, em relatório submetido ao Ibama, que poderá utilizar o Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, em São Luís (MA) para apoiar a exploração em Barreirinhas, onde opera dez blocos. Já a Exxon e a Premier informaram ao órgão que consideram concentrar seus voos no Aeroporto de Fortaleza (CE) para apoiar as atividades nas bacias potiguar e do Ceará.