O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Mapa de Logística dos Transportes. O estudo é o primeiro documento oficial a reunir a localização de todos os modais de transportes e infraestruturas utilizados pelo País para a distribuição de mercadorias, como terminais alfandegados e armazéns, por exemplo.
No comunicado sobre o trabalho, o instituto confirma que as rodovias têm uma forte predominância sobre os outros modais brasileiros, com 61% do transporte de carga, e estão concentradas na região Centro-Sul do País, com destaque para São Paulo. O trabalho aponta um “vazio logístico” em outras regiões, diz o estudo.
“É interessante notar alguns ‘vazios logísticos’ onde a rede de transporte é mais escassa, como o interior do Nordeste; a região do Pantanal, excetuando-se a área de influência da hidrovia do Paraguai; e o interior da floresta amazônica, à exceção do entorno das hidrovias Solimões-Amazonas e do Madeira”, afirma o comunicado.
O trabalho concluiu que o crescimento econômico e o aumento do mercado interno estão gerando uma demanda crescente por melhorias nos sistemas de transportes de cargas para diminuir os custos logísticos e tornar a produção nacional mais competitiva no exterior e mais acessível ao mercado interno.
O mapa se utiliza de dados já disponíveis em outros órgãos públicos e instituições do setor, como a CNT (Confederação Nacional dos Transportes). Ele aponta as principais infraestruturas e mostra também alguns fluxos de mercadorias, como os da aviação de carga. Um dos destaques do IBGE é para a infraestrutura do estado de São Paulo, considerada bem distribuída no território.
“Com efeito, esse estado é o único a apresentar uma infraestrutura de transportes na qual as cidades do interior estão conectadas à capital por uma vasta rede, incluindo rodovias duplicadas, ferrovias e a hidrovia do Tietê”, afirma o trabalho.
Um dos destaques do estudo é o mapeamento de dois elementos pouco estudados da logística no País, que são os armazéns de grãos e as estações aduaneiras internas, os chamados portos secos. Segundo o comunicado, a intenção da pesquisa é “contribuir para a análise e construção de uma nova geografia do País, a partir do entendimento da logística dos transportes de cargas e de pessoas enquanto dimensões estruturantes da rede urbana brasileira e das conexões intrarregionais que articulam o território nacional”.
Quase a metade dos portos secos do País estão em São Paulo
O estado de São Paulo concentra quase a metade dos portos secos do País, segundo o mapa mural “Logística dos Transportes no Brasil”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Das 62 estações aduaneiras de interior de todo o Brasil, 28 delas estão situadas em cidades da Região Metropolitana paulista ou no seu entorno.
Os portos secos são instalados próximos às áreas de expressiva produção e consumo e contribuem para agilizar as operações de exportação e importação de mercadorias. As regiões Nordeste e Norte têm apenas duas estações aduaneiras de interior cada: em Recife e Salvador; e Belém e Manaus. A região Sul tem 11 cidades com portos secos, enquanto o Centro-Oeste possui três.
Segundo o estudo, a fronteira brasileira com a Argentina, Paraguai e Uruguai registra as interações mais dinâmicas com os países vizinhos, havendo, portanto, maior ocorrência de postos da Receita Federal e de cidades-gêmeas. Os três países compõem o Mercosul junto com o Brasil desde a sua criação.
Quanto aos portos brasileiros, eles servem primariamente à exportação de commodities, principalmente soja, minério de ferro, petróleo e derivados. Quanto à movimentação de soja, destacam-se os portos de Itacoatiara (AM), Paranaguá (PR), Rio Grande (RS), Salvador (BA), Santarém (PA), São Francisco do Sul (SC) e o porto de Itaqui (MA).
Já os combustíveis e derivados de petróleo se sobressaem em diversos terminais do Nordeste, especialmente Aratu (Candeias – BA), Itaqui (MA), Fortaleza (CE), Suape (Ipojuca – PE), Maceió (AL) e São Gonçalo do Amarante (Pecém – CE).
Os portos que mais movimentam minério de ferro são os terminais privados de Ponta da Madeira, da Vale, em São Luís (MA), e de Tubarão, em Vitória (ES). Enquanto o primeiro recebe principalmente a produção da Serra de Carajás, no Pará, o segundo está associado à produção do estado de Minas Gerais.
O porto de Santos (SP) concentra a maior quantidade de carga movimentada no País e opera, em grande escala, carga geral armazenada e transportada em contêineres. O porto paulista é usado para o escoamento da produção nacional com maior valor agregado, que segue tanto para outras regiões do País quanto para exportação, e para desembarque de mercadorias, pela proximidade ao maior centro consumidor do País, sobretudo a Grande São Paulo.
Paulistas têm ‘vasta rede’ de infraestrutura
São Paulo também é o único estado brasileiro com uma infraestrutura de transportes que conecta as cidades do interior à capital por uma vasta rede, que inclui rodovias duplicadas, ferrovias e a hidrovia do Tietê, segundo o mapa mural “Logística dos Transportes no Brasil”, preparado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado ainda posui o maior aeroporto (Guarulhos) e o porto com maior movimentação de carga (Santos) do País.
As regiões que se destacam pela alta densidade da rede de transportes são a Grande São Paulo e as Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte e de Porto Alegre. Também têm elevada acessibilidade as áreas entre Recife e João Pessoa, entre Brasília e Goiânia, os entornos de Salvador e de São Luís.
O IBGE também chama atenção para a grande extensão de rodovias pavimentadas não duplicadas no Noroeste do Paraná, no Rio de Janeiro, no Sul de Minas Gerais e no Distrito Federal e entorno, além do litoral da região Nordeste, entre o Rio Grande do Norte e Salvador.
Mas é possível observar “vazios logísticos”, onde a rede de transporte é mais escassa, principalmente no interior do Nordeste; na região do Pantanal (com exceção da área de influência da hidrovia do Paraguai); e no interior da floresta amazônica (exceto no entorno das hidrovias Solimões-Amazonas e do Madeira).
Quanto ao transporte aéreo, São Paulo e Rio de Janeiro concentram a maior movimentação de passageiros. São Paulo respondeu por 26,9 milhões de passageiros em voos domésticos e por 10,4 milhões de bilhetes internacionais em 2010. Em segundo lugar, o Rio de Janeiro teve 14,5 milhões de pessoas em voos domésticos e 3,1 milhões em rotas internacionais.
Devido ao elevado custo, a movimentação de cargas por via aérea é mais usada para produtos com alto valor agregado, ou mais perecíveis, e que exigem maior rapidez e segurança durante o transporte. No Brasil, esse modal é utilizado em poucos trajetos, com mais da metade do tráfego concentrado em apenas 10 pares de ligações entre cidades, sendo que a ligação São Paulo-Manaus abarcava mais de 20% do total de carga transportada em 2010.
Cai confiança de empresários do transporte
Os transportadores estão pessimistas com o futuro econômico do País, não acreditam no aumento do Produto Interno Bruto (PIB) e nem nas soluções para a infraestrutura do transporte nos próximos anos, diz a Confederação Nacional do Transporte (CNT). De acordo com a Sondagem Expectativas Econômicas do Transportador 2014 – Fase 2, divulgada pela Confederação, parcela de 81,4% dos empresários não acredita no aumento da taxa de crescimento do PIB brasileiro neste ano.
Para 72,1% deles haverá aumento da inflação. Fatia de 67,1% manifestou que o grau de confiança na gestão econômica do governo é baixo. Na primeira sondagem de 2014, divulgada em março, esses índices foram de 70,9%, 63,2% e 52,3%, respectivamente. A mais recente edição da sondagem indica que somente 25,8% dos empresários esperam aumento na receita bruta e que 29,4% apostam no aumento no número de viagens ainda em 2014.
Em março, esses índices eram de 43,2% e de 39,3%, destaca a CNT. Também caiu a perspectiva de aumento de contratações formais, de 33,3% para 18,2%. Para a realização da sondagem, foram feitas entrevistas entre 7 e 24 de outubro. Foram consultados 445 empresários dos modais rodoviário (cargas e passageiros), aquaviário (marítimo e navegação interior) e ferroviário (cargas).
Segundo a confederação, o setor tem encontrado muitas dificuldades na contratação de mão de obra qualificada e opera sob a expectativa de aumento da inflação e dos custos dos insumos da atividade e, diante disso, não planeja investir. Neste fim de ano, 72,8% não pretendem adquirir mais veículos, embarcações ou material rodante.
De acordo com a CNT, a falta de estímulo em realizar investimentos pode estar relacionado ao fato de que, para 61,6% do público consultado, a taxa de juros aumentará, o que significa perspectiva de financiamento mais caro. “Os empresários estão tendo a percepção do baixo crescimento econômico neste ano de 2014. E isso pode estar contribuindo para a redução de aquisição de veículos e de embarcações pelo setor”, afirma, em nota, o presidente da CNT, Clésio Andrade.
A sondagem aponta que 61,8% dos transportadores avaliam que os recursos autorizados pelo governo não solucionarão problemas de logística. Parcela de 86,8% aprova a participação da iniciativa privada como forma de proporcionar as intervenções necessárias ao setor.
Para 54,6%, os incentivos fiscais podem estimular investimentos privados. Parcela de 75,5% dos empresários entrevistados avaliou que os investimentos estrangeiros em infraestrutura poderão contribuir para a melhoria das condições logísticas. Para 55,1%, a aproximação comercial de Brasil e China beneficiará a prestação do serviço de transporte nacional.