O Brasil faz parte de um grupo de países com baixo PIB per capita e produção de petróleo relevante (entre 3 e 5 milhões de barris/dia) com regras específicas para conteúdo local. Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Brasil Energia Petróleo que analisou 20 países com rodadas ou calendário de ofertas de blocos exploratórios anunciado para 2017.
Os dados mostram que países como a Noruega, que teve uma política de conteúdo local consolidada durante 30 anos, e o Reino Unido atingiram a maturidade de não precisar exigir mais conteúdo local. A Austrália, que inicia seus passos no desenvolvimento da produção de petróleo, faz atualmente leilões sem a exigência de conteúdo local.
O Brasil está alinhado com países como México e Irí, que têm produção relevante e forte atuação estatal. As atividades de exploração e produção em águas profundas no México deverão ter pelo menos 8% de conteúdo local até 2025. No Brasil, para as rodadas que serão realizadas em 2017 haverá índice de conteúdo local de 50% e 18% para exploração em projetos em terra e no mar, respectivamente. No desenvolvimento da produção, os índices mínimos serão de 25% para construção de poços, 40% para subsea e 25% para construção de plataformas.
Na disputa por investimentos, o Brasil competirá com países como México e novas fronteiras como Uruguai, Austrália, Nova Zelândia e mercado consolidados como o Golfo do México dos EUA, Noruega e Reino Unido, que não exigem conteúdo local.
Um estudo do Banco Mundial de 2014 sobre conteúdo local no setor de petróleo alerta que esse tipo de política tende a falhar e gerar resultados econômicos negativos se ignorar alguns pré-requisitos, como o foco no desenvolvimento de setores com competitividade latente e na correção de falhas de mercado.